Advogado diz que cliente está preso no lugar do irmão, com nome parecido, em Rio Verde (GO)

Ele sustenta que o cliente foi preso por racismo e por se tratar de uma pessoa pobre

Jucinaldo Freire (Foto: Arquivo Pessoal)

Um advogado afirma que o cliente dele está preso de forma indevida e ilegal há sete meses em Rio Verde. Jucinaldo Freire, de 39 anos, teria sido detido no dia 28 de novembro de 2021 com um mandado de prisão em nome do irmão, Josinaldo Freire, que está desaparecido desde 2014 e a família não sabe o paradeiro. Segundo o advogado, Jucinaldo foi detido apenas pela feição física.

Gilson Lima Costa, advogado de Jucinaldo, diz que no mandado de prisão havia a identificação com o nome, RG, mas não tinha foto nem impressão digital. Ele sustenta que o cliente foi preso por racismo e por se tratar de uma pessoa pobre. “Ele e o irmão são completamente diferentes, com nomes diferentes. No momento da prisão, chegou a falar aos policiais que eles estavam cometendo um erro. Mandaram ele calar a boca e o levaram para a delegacia”, relata.

O advogado sustenta que o delegado que lavrou a prisão não quis ouvir Jucinaldo. Nem mesmo acionou o papiloscopista para sanar o erro e resolver a situação. O juiz e o promotor mantiveram a prisão e oficiaram o instituto de identificação da Bahia, já que o crime teria ocorrido naquele Estado. Mas não houve resposta. “Oficiaram o instituto de identificação de Goiás, que prontamente fizeram a identificação, eu manifestei várias vezes no processo, mas sem sucesso”, diz.

“É uma situação absurda. Prenderam a pessoa baseado nas características dela. ‘Você se parece com fulano, então você está preso’. Simples assim. Sem foto, sem identificação digital. Sou contra mimimi de racismo, mas será que que se fosse um branco de classe media, isso estaria acontecendo?”, indaga.

O advogado ainda denuncia que o homem foi transferido de Rio Verde para Jataí sem ordem judicial.

Relaxamento de prisão

Gilson Lima já protocolou três pedidos de relaxamento de prisão e mais duas manifestações, explicando a historia, juntando comprovante de endereço, certidão de nascimento, para que pudesse responder em liberdade. Sem sucesso, porém.

O advogado buscou, então, o instituto de identificação de Goiás e conseguiu, que confirmou o erro de identificação na última quinta-feira (9). Assim, na manhã desta sexta-feira (10) fez uma nova manifestação, mas até o momento de escrita da matéria não houve nenhuma manifestação do judiciário para a soltura de Jucinaldo.

O Mais Goiás entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública e aguarda resposta.