Após desentendimento, Carapô não é mais vice-líder do governo na Assembleia

Deputado lembra que nunca chegou a ser vice-líder de fato e de direito

Carapô deixa cargo de vice-líder de Caiado na Assembleia
Carapô deixa cargo de vice-líder de Caiado na Assembleia (Foto: Reprodução)

O deputado estadual Zé Carapô (DC) não é mais vice-líder do governo Ronaldo Caiado (DEM), na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Ainda não houve entrega oficial do cargo, mas atualmente o parlamentar se considera independente – nem base e nem oposição.

“Atuei como vice líder, em especial no ano de 2019 e início de 2020, quando contribuí para a organização da base governista. Foi a partir daquele momento que o governo começou a aprovar seus projetos com mais solidez e os erros formais, como falta de assinaturas em PECs (propostas de emendas à Constituição), por exemplo, pararam de acontecer. Mas o fato é que por uma decisão política da mesa diretora da Alego, minha posição de vice liderança nunca chegou a ser oficializada”, expôs.

A informação foi confirmada ao Mais Goiás após o deputado fazer críticas a Caiado em sessão na Alego. Além de concordar com os argumentos do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) – que ameaçou fechar as divisas caso não sejam criados leitos de UTI para o tratamento de Covid na região do entorno -, Carapô criticou o investimento de apenas R$ 60 milhões em compras de vacina contra a covid-19. Segundo o legislador, há pouco tempo, o governo anunciou mais de um bilhão em obras de asfalto por todo o estado.

Mudança

Questionado sobre a mudança de postura, ele afirma que esta se deu pela própria alteração do rumo tomada pelo governador, “que hoje se mostra completamente diferente do Caiado candidato em 2018. Prefiro ser independente do que oposição”.

Ele afirma, ainda, que, atualmente, é uma entre milhões de vozes goianas que cobram ações efetivas e sobretudo os compromissos que foram firmados na campanha eleitoral. “É muito fácil fazer inúmeras promessas no meio de uma campanha e depois não ter mais compromissos com as próprias palavras depois das eleições. Cadê o retorno da titularidade dos professores, a reestruturação asfáltica da nossa malha viária, a regionalização da saúde e inúmeros outras promessas feitas?”

E continua: “Já se foram 2 anos e o que vejo são mais promessas feitas e nenhuma ação efetiva. Torço para que o governador caia na real e retorne aos trilhos. Quem sabe ele não me dê motivos para defender esse governo novamente, pois do jeito que está hoje, fica muito difícil.”

Ibaneis x Caiado

Vale lembrar, na terça (23), Ibaneis ameaçou fechar a divisa com o estado de Goiás caso não fossem criados leitos de UTI para o tratamento de Covid na região do entorno. Ele afirmou que a situação está crítica e que o gestor de Goiás precisa cuidar da população.

“O Governo de Goiás está negligenciando seus pacientes. Sem leitos e hospitais, transfere a obrigação de cuidar de sua população a nós, do DF. Não me furto a essa missão, mas está chegando a um ponto em que a gente precisa chamar a atenção do governador”, disse Ibaneis.

Em resposta à fala de Ibaneis, Caiado publicou uma nota no final da tarde de terça-feira (23) classificando a declaração como “estapafúrdia” e que ela causou “nojo e repúdio”. “Diante de um momento tão delicado vivido por todos nós, onde a maioria dos governadores se dão as mãos para ajudar os que mais necessitam, causa repúdio e nojo ler uma declaração estapafúrdia do governador do DF, Ibaneis Rocha, de que vai fechar as fronteiras do DF com Goiás”.

Caiado afirmou, ainda, que não fez contas das pessoas que atendeu e nem seu local de origem. Ressaltou também que criou leitos em 12 macrorregiões, entre elas Luziânia e Formosa, e que sabe que a declaração de Ibaneis não condiz com o pensamento de quem mora em Brasília. “Essa declaração é de uma pequenez que rima com o seu próprio nome”.

Desta forma, Carapô afirmou: “Diante dos fatos sou obrigado a concordar o Governador do DF Ibaneis Rocha, quando ele diz que gostaria que o Governador de Goiás respondesse com trabalho. Hoje o que temos é uma tentativa de governar o estado através de bravatas e com quase nenhuma ação de fato entregue a população.”