Agência O Globo

Augusto Heleno diz que pedir divulgação de reunião ministerial é ‘ato impatriótico’

Manifestação ocorreu após Sergio Moro defender retirada de sigilo de gravação

Em 2018, general Heleno associou o Centrão a ladrões (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Em 2018, general Heleno associou o Centrão a ladrões (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, afirmou nesta quarta-feira que defender a divulgação na íntegra de uma reunião ministerial é “um ato impatriótico, quase um atentado à segurança nacional”. A declaração ocorreu horas após a defesa do ex-ministro Sergio Moro defender a retirada de sigilo do vídeo da reunião do dia 22 de abril, no âmbito do inquérito que investiga uma suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF).

“Pleitear que seja divulgado, inteiramente, o vídeo de uma Reunião Ministerial, com assuntos confidenciais e até secretos, para atender a interesses políticos, é um ato impatriótico, quase um atentado à segurança nacional”, escreveu Heleno no Twitter.

Na terça-feira, o ministro Celso de Mello, relator do inquérito no STF deu 48 horas para Moro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Advocacia-Geral da União (AGU) se manifestaram sobre a possível retirada, total ou parcial, do sigilo da gravação. Na manhã desta quarta, os advogados de Moro pediram formalmente a divulgação.

O vídeo foi exibido para investigadores e para Moro na manhã de terça-feira. De acordo com o relato de pessoas que assistiram a gravação, Bolsonaro defendeu na reunião uma troca no comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro para evitar que familiares e amigos seus fossem “prejudicados” por investigações em curso.

Bolsonaro afirmou que não vê problemas na divulgação do vídeo, exceto de trechos que tratam de política externa. De acordo com a colunista Bela Megale, houve críticas à China feitas por parte dos presentes.

— Esse vídeo pode ser todo mostrado a vocês, exceto quando se trata das questões de política externa e segurança nacional — disse o presidente na terça-feira.