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A luta de Aécio Neves é por sobrevivência

Mesmo em período de vacas magras, Aécio mostra resiliência para se manter respirando no jogo político. E isso é uma vitória

MG: Aécio lidera ao Senado, mas só deve definir o cargo que disputa na quinta
MG: Aécio lidera ao Senado, mas só deve definir o cargo que disputa na quinta (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Goste você ou não de Aécio Neves, é preciso reconhecer que o cara é guerreiro. Poucos teriam sobrevivido à divulgação daquelas gravações devastadoras de seus tratos espúrios com a J&F. Tinha de tudo: piadinha com assassinato de parente, negociação de dinheiro para dívidas de advogados, tudo quanto é conversa torta. Sem rodeios, sem tergiversação. Na veia mesmo.

E mesmo depois de tomar tanta porrada, merecidamente, diga-se, ele continua por aí. Ainda em situação de fragilidade, é verdade, mas jogando o jogo.

Em entrevista publicada hoje no jornal O Globo, Aécio mostra que realmente não está para brincadeira. Bate em João Doria, bate em Sérgio Moro, bate em Bruno Araújo, bate em Geraldo Alckmin… Nem parece alguém que sofreu tantos reveses nos últimos tempos.

Veja bem, após vários mandatos como deputado federal quando também presidiu a Câmara dos Deputados, ele governou um estado relevante como Minas Gerais por duas vezes e foi eleito senador. No meio deste mandato, concorreu à presidência da República e não foi eleito por um triz. A partir daí, sua vida caiu em desgraça. Com as fatídicas gravações, ele se transformou em persona radioativa.

Aécio entendeu que seu mar não estava pra peixe em 2018 e deu alguns passos atrás nas pretensões políticas. Calçou as sandálias da humildade e voltou ao cargo de deputado federal. Aí começa sua luta por sobrevivência. Doria tentou expulsá-lo do ninho tucano. Perdeu vergonhosamente. Aécio provou que, embora com o filme queimado, tinha ainda força considerável dentro do PSDB.

Desejoso de vingança por conta desse movimento de Doria, Aécio se engajou nas prévias tucanas defendendo Eduardo Leite. Saiu derrotado. O governador paulista conseguiu se impor. Não o suficiente para tirar Aécio de vez do caminho, mas com legitimidade para liderar o partido.

O que fará Aécio? Em sua estratégia de sobrevivência e esperando pelos dias de glória após anos de luta, deve se recolher. No PSDB mineiro, ainda é relevante. Os tucanos governam mais de 100 cidades no estado, todos com algum tipo de vínculo com Aécio. Não é pouca coisa.

Aécio está ainda está bem estropiado, mas permanece vivo. E, na política, isso é o que importa. Por ora, ele pode encarnar o Eddie Vedder e gritar por Brasília: Oh I, oh, I’m still alive. Parece pouco. Mas para Aécio, é coisa demais. E é o que tem pra hoje.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil