Kossa Aqui

Uns têm medo da cadeia e outros da guerra, eu tenho medo de lombalgia

Tanta gente com tanto medo por tantos motivos só me leva a lhe perguntar: qual seu maior medo?

Lombalgia / Reprodução
Lombalgia / Reprodução

O medo é um sentimento poderoso. É o medo que lhe impede de fazer (mais) bobagens. É o medo que limita o ímpeto. É o medo que traz juízo, prudência, responsabilidade.

Tem gente com medo do que pode acontecer com o alongamento da guerra da Rússia na Ucrânia. Justo.

Tem gente com medo das consequências do rolê sem noção de Nancy Pelosi por Taiwan e das reações da China. Justo.

Tem gente com medo de encarar uma cadeia dependendo do resultado das eleições de outubro. Justíssimo.

O que mais me dá medo é algo bem comum e que aflige boa parte dos senis, categoria na qual estou incluso, que desdenham de uma postura corporal apropriada enquanto trabalham horas sentados na frente do computador: a lombalgia.

Cara, dor na lombar é algo que me dá muito medo. Muito mesmo.

Toda vez que minha lombar travou, meu sentimento era de que dessa vez eu não escaparia daquele que é o destino de todos e que ingenuamente tentamos protelar ao máximo.

Um choque acima do cóccix que rapidamente se irradia coluna acima e lhe bambeia as pernas. A partir desse momento, acabou a paz. Acabou cada passo sem dor. Acabou amarrar o cadarço. Acabou realizar toda e qualquer atividade chinfrim do dia a dia sem gemidos e pedidos sinceros de clemência divina.

Aí, meu filho, só resta tocar pro Hospital dos Acidentados e ser medicado com analgésicos mais fortes que absinto e antiinflamatórios que custam coisa de três dígitos.

Como minha lombar trava com alguma frequência, impossível matar esse medo que aterroriza meu íntimo. Estou escolado em lombalgia.

Mas enquanto existir um jardim para arrumar, uma aula de pilates como profilaxia e drogas pesadas contra a dor sendo vendidas nas farmácias, o jeito é levantar, sacodir a poeira com cuidado para não estragar de vez as costas, encarar o medo e tocar a vida. Mas sempre com um pezinho atrás. Afinal, lombar não é de ferro.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Reprodução