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Zero expectativas para a black friday

Promoções pela metade do dobro não são exatamente algo para chamarmos de excitante

Lojistas da 44 em Goiânia não participam diretamente da Black Friday
Lojistas da 44 em Goiânia na Black Friday (Foto: Jucimar de Sousa - Mais Goiás)

Já teve um tempo quando eu nutria alguma esperança sobre as promoções da black friday. Sim, tempos de inocência, tempos imberbes, tempos remotos. Hoje, meu sentimento maior quando nos aproximamos da última sexta-feira de novembro é a irritação. Alguns chamam isso de rabugice. Eu considero que seja um estado de maturidade. O mais provável é que as duas categorizações estejam corretas.

Fico deveras puto com o oba-oba gerado com a black friday. Não consigo navegar em rede social alguma sem ser bombardeado com tudo quanto é tipo de anúncio. Acho até que a galera do comércio anda pegando meio pesado no marketing dessa data importada da tradição estadunidense e que antecede o Dia de Ação de Graças. Mas eles devem saber o que estão fazendo, imagino…

Numa black friday passada, me planejei para pegar promoções. Monitorei preços dos produtos que queria e, na hora H, foi aquela brochada. Os itens foram reajustados duas ou três semanas antes e, na data da orgia consumista, o valor cobrado era o mesmo de tempos pregressos. Tudo virava um grande elas por elas que não representava desconto algum para o combalido bolso do proletariado brasileiro.

Ouvi uma explicação de uma especialista que foi bastante elucidativa. A black friday tem como intuito atingir aquele consumido que é pego pela emoção, o cara que compra de forma impulsiva. Ele vê o desconto, acha que precisa do produto, é seduzido e leva pra casa. A data não é feita para quem está monitorando o preço de uma compra específica. Não é esse o objetivo da black friday.

Depois que entendi essa lógica, não crio mais expectativas. O problema é que sempre tem um conhecido que diz que encontrou uma promoção inacreditável. Passagens aérea a preço de pão francês , celular no valor de duas cervejas na distribuidora de bebidas. Não nasci com o dito cujo virado para a lua. Nunca topo com nada assim, se é que isso acontece.

Não sei se o povo mente ou se eu que se trouxa. Novamente, o mais provável é que as duas categorizações estejam corretas. O fato é que não vou tentar comprar nada em promoção nessa black friday. Até por que minha situação financeira está no vermelho há um bom tempo.

@pablokossa/Mais Goiás | Foto: Jucimar de Sousa – Mais Goiás