Cinema

Crítica: Entre Mulheres (2022)

Longa-metragem foi indicado a 2 Oscars: Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado

Um filme ser bom ou ruim é algo relativo pois cada um tem um gosto e, portante, visões distintas do que lhe agrada ou não. Particularmente, “Entre Mulheres” é um filme medíocre, e se torna ainda mais medíocre ao vê-lo indicado ao Oscar não por suas qualidades narrativas e técnicas, mas apenas, e simplesmente, pela força de seu tema.

Adaptado do livro “Women Talking” de Miriam Toews, que é inspirado em uma história real mas também é repleto de mudanças, a temática de “Entre Mulheres” é, sem dúvida, pesada e pertinente. A trama acompanha um grupo de mulheres em uma comunidade reclusa e religiosa, em pleno 2010, que decide se reunir em um celeiro e decidir qual será o futuro de suas vidas. Constantemente abusadas sexualmente – e com violência – pelos homens da comunidade, elas se reúnem para debater qual é o melhor caminho: ficar e lutar ou ir embora para sempre e recomeçar do zero.

Ter um tema forte nem sempre é sinônimo de um bom filme. A discussão do roteiro de “Entre Mulheres” é mais do que atual para o mundo de hoje onde a religião continua transformando as mulheres em vítimas de uma sociedade machista, cruel e autoritária. Mas o texto da também diretora Sarah Polley nunca encontra o seu ápice emocional, e as decisões de centrar a trama quase toda em um único cenário torna o debate sobre o assunto fraco, sem impacto, arrastado e cansativo. O texto é superficial, prevísivel e óbvio, e nada do que é colocado em cena é digno de lembrança.

Entre tantos filmes excelentes estrelados e dirigidos por mulheres este ano, é triste ver que “Entre Mulheres” foi indicado como Melhor Filme (?) e Melhor Roteiro Adaptado (?) no Oscar 2023. Obras como “Ela Disse”, “Till – A Busca por Justiça” e até “A Mulhe Rei” são infinitamente superiores em narrativa e técnica. Decepção!

Women Tallking/EUA – 2022

Dirigido por: Sarah Polley

Com: Claire Foy, Rooney Mara, Jessie Buckley, Frances McDormand…

Sinopse: Baseado no livro homônimo de Miriam Toews e inspirado em eventos reais ocorridos na colônia de Manitoba, na Bolívia, Entre Mulheres segue as mulheres da comunidade religiosa que lutam para conciliar sua fé com a realidade. Em 2010, as mulheres da comunidade isolada seguem a religião da igreja Menonita, e acabam descobrindo um segredo chocante sobre os homens da comunidade que controlaram suas vidas e fé. É revelado que os homens usaram anestésicos para drogar e estuprar mulheres e meninas durante a noite por muitos anos, às vezes resultando em gravidez. É tradição da comunidade quase menonita manter a mulher em um estado sem educação, sem escolaridade e analfabetismo, com o objetivo de ajudá-la a ser totalmente subserviente aos membros masculinos da comunidade e às suas necessidades.