Cinema

Crítica: Triângulo da Tristeza (2022)

Longa-metragem foi indicado a 3 Oscars - incluindo Melhor Filme

Ganhador da Palma de Ouro em Cannes, “Triângulo da Tristeza” é outro projeto da atualidade centrado em estudar as relações humanas e suas diferentes camadas de poder social ao mesmo tempo em que abraça o absurdo para, ao mesmo, reforçar que a nossa realidade, em sua essência, sempre foi marcada pela soberba e uma natureza altamente corrompida pelo poder.

Dirigido pelo sueco Ruben Östlund (o mesmo de “The Square: A Arte da Discórdia”), o filme é básico em sua premissa e óbvio em suas críticas, e é por isso que considero o longa um filmaço pertinente e provocador que utiliza justamente o básico – e o óbvio – para mostrar como a soberba, a superficialidade e a corrupção humana são claramente perceptíveis, mas que nós, frequentemente, pouco a enxergamos em nossas atitudes.

Ainda que a maior cutucada seja nos ricos presunçosos em uma cruzeiro de luxo, e em como suas vidas vazias e esnobes se tornarão literalmente merda e vômito diante do espectador (uma sequência, aliás, já icônica na história do cinema), o filme também não perdoa as demais classes, e cria um texto que irá mostrar justamente que a maior falha está na natureza humana, e em como ela é facilmente transformada quando adquire um mínimo de poder. A terceira parte situada em uma ilha é o melhor exemplo disto, e introduz um jogo inverso que coloca aqueles financeiramente ricos desprovidos do básico e da influência de seu dinheiro, e em como aqueles que antes não tinham nada, a partir do momento que conseguem o poder, mudam totalmente de atitude – ainda que, confesso, seja uma parte que se estende além do necessário e o filme tenha aquele típico final em aberto (zzz).

Ao mesmo tempo ácido, envolvente e até divertido, “Triângulo da Tristeza” é ligeiramente assustador por enfatizar uma natureza humana que está em todos nós. Infelizmente. Em um mundo a cada dia mais fútil onde a banalidade é o maior interesse de todos, o cenário torna-se ainda mais assustador ao percebermos que não importa a classe social, mas a maioria têm sido seres humanos hostis, arrogantes, convencidos, pretensiosos, vaidosos, etc.

INDICAÇÕES AO OSCAR:

  • Melhor Filme
  • Melhor Diretor (Ruben Öslund)
  • Melhor Roteiro Original

Triangle of Sadness/SUÉCIA, FRANÇA, EUA, REUNO UNIDO, ALEMANHA, ETC – 2022

Dirigido por: Ruben Östlund

Com: Charlbi Dean, Harris Dickinson, Thobias Thorwid, Dolly De Leon…

Sinopse: Triângulo da Tristeza é o filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2022. A história começa acompanhando os jovens modelos Carl (Harris Dickinson) e Yaya (Charlbi Dean), que estão navegando pelo mundo fashionista enquanto tentam se tornar influencers. Eles ganham passagens para viajar num cruzeiro de luxo, sendo os únicos passageiros classe média num grupo de milionários, liderado por um alcóolatra capitão comunista do barco (Woody Harrelson). Porém, uma noite de tormenta e ataques de piratas fazem o navio naufragar, deixando os sobreviventes presos numa ilha deserta. A hierarquia dentre o grupo muda completamente quando dentre esse bando de ricaçõs, a única pessoa que sabe como sobreviver nesse local inóspito é a faxineira filipina – capaz de pescar e fazer uma fogueira. Logo, essa sarcástica comédia dirigida e escrita por Ruben Östlund passa a discutir tal nova dinâmica que inverte os poderes entre os sobreviventes e passa a questionar os papéis de gênero.