Bolsonaro promete ‘bomba’ sobre segurança das urnas eletrônicas em live nesta quinta

Presidente reafirma supostas fraudes em 2014 e 2018

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Presidente reafirma supostas fraudes em 2014 e 2018 (Foto: divulgação/ Veja)

O presidente Jair Bolsonaro promete fazer uma revelação “bomba” sobre supostas falhas das urnas eletrônicas na live semanal desta quinta-feira (29). Há dias, ele adota o discurso de que os aparelhos são fraudulentos, com intensão de ganhar apoio para retomada do voto impresso no país. Entretanto, enquanto autoridades de diversos órgãos atestam a confiabilidade do sistema vigente, Bolsonaro – eleito pelo voto eletrônico – nunca apresentou prova de suas afirmações.

“O povo vai reagir em 2022 se não tivermos eleições democráticas. Todos nós queremos eleições. Peço que amanhã, quinta-feira, às 19h, o pessoal assista porque a gente vai demonstrar todas as inconsistências de 2014, 2018… São coisas fantásticas ali para mostrar”, convocou na última quarta-feira (28).

Ainda aos apoiadores, ele reforçou que “o povo vai reagir” caso a proposta do voto impresso não seja aprovada no Congresso. Bolsonaro ainda rebateu o argumento do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luís Roberto Barroso, de que a mudança de votação teria um custo de cerca de R$ 2 bilhões.

“Sei que vocês não estão preocupados em gastar R$ 2 bilhões do orçamento com uma maneira de nós termos a certeza de que se votou para prefeito, governador, vereador, deputado e que (o voto) vai ser para aquela pessoa”, apontou. O presidente disse que quem trata do Orçamento é ele e não Barroso. “Vai ganhar eleição quem tem voto. Se não for dessa maneira, poderemos ter problemas em 22. E eu não quero problema. E quando falam, o Barroso mesmo, ‘mais R$ 2 bilhões’. Ô, Barroso, quem trata de Orçamento sou eu, não é você, tá? (sic)”.

Bolsonaro ainda questionou se o ministro é “contra a democracia”. “Por que o ministro Barroso está tão preocupado em não ter eleições democráticas? Ele é contra a democracia? Parece que é. Se nós estamos oferecendo uma maneira de comprovar realmente que as eleições não vão ser fraudadas, porque ele quer que acabem as eleições e permanecemos na dúvida?”, desafiou.

Atestado

Recentemente, o Mais Goiás ouviu um técnico do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-GO) para falar sobre a segurança da urna eletrônica. Alexandre Azevedo disse que, além de ser auditável, a urna funciona de forma offline após a impressão do zerésimo (comprovante que não há votos emitidos antes do início da votação, o que impede qualquer invasão hacker). Inclusive, a própria Justiça Eleitoral fez testes com hackers e estes nunca a violaram. “Não existe nenhum inquérito na Polícia Federal sobre fraude nas urnas.” E completou: “Se ocorresse fraude, seria para tirar um candidato, não para levar ao segundo turno.”

O Estadão também fez uma matéria sobre o assunto solicitando informações através da Lei de Acesso à Informação (LAI) à Polícia Federal (PF). A corporação não encontrou até o momento registros de investigações sobre fraudes envolvendo a urna eletrônica desde que o método de votação foi adotado, em 1996. Em meados de junho, o comando da corporação pediu às superintendências do órgão nos Estados, por meio da Corregedoria, que encaminhassem todas as denúncias de fraudes recebidas ou apuradas desde 1996. Até agora uma única investigação foi localizada. O caso é de 2012, mas a PF concluiu que se tratava de tentativa de estelionato, não de fraude que tenha comprometido a eleição.

Porém, as afirmações de Bolsonaro tende ganhar confianças de alguns brasileiros. Em Goiânia, por exemplo, há um passeata marcada para o próximo domingo (1º/8) para pressionar pela mudança no sistema de voto. Até figuras públicas pedem o voto impresso, como Zezé Di Camargo, que recentemente apareceu em um vídeo defendendo a alteração.

*Com informações do Estado de Minas e Estadão