Busca pelos irmãos desaparecidos em Bacabal (MA) completa dois meses sem respostas
Polícia Civil descarta conclusões definitivas e mantém investigação aberta

Via Folha de São Paulo – Dois meses após o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly Reis Lago, 6, e Allan Michael Reis Lago, 4, na comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal (Maranhão), o inquérito policial segue em andamento, ainda sem indícios sobre o paradeiro das crianças.
A operação, que, segundo o governo do Maranhão, mobilizou 260 agentes públicos e quase 1.000 pessoas no total — incluindo voluntários no pico das buscas —, atualmente tem como foco a investigação conduzida pela Polícia Civil. Houve redução do efetivo nas áreas de mata onde as crianças desapareceram, no dia 4 de janeiro, enquanto brincavam com o primo Anderson Kauã, 8 — o único localizado.
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que, até o momento, não é possível “apontar circunstâncias, responsabilidades ou conclusões definitivas”.
As autoridades chegaram a considerar publicamente hipóteses como sequestro, afogamento, ataque de animal silvestre ou a possibilidade de as crianças estarem vivas em outro local. Nenhuma delas, porém, foi confirmada pela Polícia Civil do Maranhão nem apresentada como linha principal de investigação. Até agora, todos os depoimentos foram colhidos de pessoas ouvidas como testemunhas.
Nas últimas semanas, equipes realizaram nova varredura aérea na região com aeronaves e drones com sensores termais, enquanto agentes em solo refizeram percursos trilhados nas primeiras semanas de busca.
O único indício relacionado a Ágatha e Allan foi encontrado em uma casa abandonada e parcialmente coberta por vegetação. No local, Anderson Kauã relatou ter buscado abrigo para os primos antes de seguir sozinho em busca de ajuda.
A casa foi localizada no dia 15 de janeiro, e cães farejadores identificaram traços da presença das crianças no imóvel. Os investigadores acreditam que elas tenham passado uma noite ali, a cerca de 50 metros do rio Mearim.
Um trecho de 19 quilômetros do rio já havia sido vistoriado pela Marinha e pelo Corpo de Bombeiros entre os dias 18 e 22 de janeiro. As equipes utilizaram sonar para mapear o leito do rio a partir de um ponto considerado pelas autoridades como possível local de queda.
“Durante os trabalhos, foram identificados onze pontos de interesse submersos, posteriormente verificados por mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, sem que fossem encontrados vestígios dos desaparecidos”, informou a Secretaria de Estado da Segurança Pública.
As equipes também realizaram mergulhos no Lago Limpo e no Lago da Mata, próximos à comunidade.
Peças de roupas infantis foram encontradas na mata no dia em que o primo das crianças foi localizado, mas a polícia confirmou posteriormente que não pertenciam a Ágatha nem a Allan.
A investigação é conduzida por uma comissão da Polícia Civil formada por delegados, investigadores e escrivães de Bacabal e São Luís. Entre as medidas adotadas estão o acionamento do protocolo internacional Amber Alert, com envio de alertas pela Meta, e a coleta de material genético de parentes das crianças.
A última vez que os irmãos foram vistos foi na tarde de 4 de janeiro, quando saíram para brincar em um matagal próximo à comunidade onde moram, na zona rural de Bacabal, município com pouco mais de 100 mil habitantes, a cerca de 240 quilômetros de São Luís.
No dia 7 de janeiro, Anderson Kauã foi encontrado debilitado por carroceiros, perto de uma estrada, a cerca de 4 quilômetros de casa, e permaneceu internado por 13 dias. Após receber alta, acompanhou a polícia até a casa abandonada e relatou que entrou na mata para procurar um pé de maracujá.
O local onde as crianças se perderam é uma área de mata fechada e de difícil acesso, com palmeiras, árvores de grande porte, vegetação espinhosa, trechos alagados e diversos cursos d’água.