Com garfo de churrasco, homem se passa por agente do FBI e tenta libertar Luigi Mangione
Mark Anderson, de 36 anos, foi detido por agentes em Nova York

Um caso inusitado chamou a atenção das autoridades nos Estados Unidos nesta semana. Com um garfo de churrasco e um cortador de pizza, um homem se passou por agente do FBI ao ir até uma prisão de segurança máxima com o objetivo de tentar libertar Luigi Mangione, suspeito de assassinar o diretor executivo de uma das maiores seguradoras de saúde do país.
- Shein usa imagem de Luigi Mangione em anúncio; VEJA FOTO
O acusado é Mark Anderson, de 36 anos, preso na quarta-feira (28) após comparecer ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York. Funcionários da unidade pediram suas credenciais oficiais, mas ele apresentou apenas uma carteira de motorista. Mesmo assim, insistiu que era um agente federal e afirmou estar armado, segundo documentos judiciais.
Durante a abordagem, os agentes realizaram uma revista na mochila de Anderson e encontraram objetos considerados incompatíveis com a função alegada. Entre eles estavam um garfo grande de dois dentes, semelhante aos usados em churrasco, e uma lâmina redonda de aço, parecida com um cortador de pizza.
De acordo com a denúncia criminal, Anderson afirmou aos funcionários do presídio que possuía documentos assinados por um juiz autorizando a liberação de um detento específico, cujo nome não constava formalmente no processo. No entanto, uma fonte judicial confirmou que o alvo da tentativa era Luigi Mangione, de 27 anos, acusado de assassinar Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, em dezembro de 2024.
Segundo investigadores, Mangione teria agido motivado por vingança contra práticas consideradas abusivas do sistema de seguros de saúde. Para parte da população, o acusado acabou se tornando um símbolo de indignação contra os altos custos e a burocracia do setor.
Além disso, Luigi Mangione responde a acusações tanto na esfera estadual quanto federal e se declarou inocente em ambos os casos. O julgamento federal está previsto para começar em setembro.
Como o homem foi desmascarado?
A farsa de Mark Anderson começou a ruir quando ele foi questionado sobre sua identificação funcional. Sem apresentar qualquer documento oficial do FBI, ele passou a exibir apenas a carteira de motorista e a arremessar papéis sobre o balcão, alegando que se tratavam de ordens judiciais. O comportamento levantou suspeitas imediatas.
- Acusado de matar CEO em Nova York recebe R$ 2 milhões em doações de apoiadores
Diante da situação, agentes do Bureau of Prisons decidiram detê-lo. Na revista, além do garfo de churrasco e da ferramenta semelhante a um cortador de pizza, não foi encontrado qualquer item que comprovasse vínculo com autoridades federais.
As investigações apontaram que Anderson havia viajado de Mankato, em Minnesota, até Nova York em busca de oportunidades de trabalho. No momento da prisão, ele trabalhava em uma pizzaria local. As autoridades afirmaram que não há qualquer indício de que ele tenha ligação legítima com o FBI ou com o sistema judicial americano.
- Luigi Mangione em anúncio de camisa; Shein toma medida após imagem viralizar
Após ser detido, Anderson foi levado à Justiça e compareceu diante de um juiz na quinta-feira seguinte aos fatos. Ele ainda não apresentou declaração formal de culpa ou inocência e foi acusado de se passar por agente público, crime federal nos Estados Unidos. A BBC informou ter tentado contato com um advogado que supostamente representa o acusado.
Quem é Luigi Mangione?
Luigi Mangione está preso desde 2024, quando foi capturado em um restaurante do McDonald’s, na Pensilvânia, após uma operação que envolveu forças de segurança de vários estados. Posteriormente, ele foi extraditado para Nova York.
Desde então, o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, com manifestações de apoio ao acusado e a presença constante de simpatizantes durante audiências judiciais. O crime reacendeu o debate nacional sobre os altos custos do sistema de saúde nos Estados Unidos.
A expectativa agora gira em torno do julgamento federal de Luigi Mangione, cuja seleção do júri está marcada para setembro.