Professor causa polêmica ao comentar reprovação de goiano com nanismo em concurso para delegado: “Anão com fuzil?”
Professor Evandro Guedes comenta reprovação de Matheus Matos em concurso para delegado

A fala de um professor de direito penal repercutiu nas redes sociais após a reprovação de um candidato goiano com nanismo no concurso para delegado da Polícia Civil de Minas Gerais. Matheus Matos, 25 anos, formado em direito, denunciou ter sido vítima de discriminação durante o Teste de Aptidão Física (TAF) do concurso organizado pela Fundação Getulio Vargas. O professor e influencer Evandro Guedes publicou um vídeo em defesa da banca organizadora, afirmando que, na visão dele, a exigência do teste físico não teria sido aplicada de forma irregular.
Durante a gravação, a fala que mais gerou polêmica foi quando ele questionou: “Você consegue imaginar um anão com um fuzil subindo o morro?”.
Em meio ao debate, internautas dividiram opiniões. Enquanto alguns criticaram a declaração, outros defenderam o posicionamento. “A atividade policial possui exigências operacionais que não podem ser adaptadas à realidade individual do agente”, comentou um usuário na web.
Segundo Evandro, pessoas com deficiência que participam de concursos públicos precisam ter compatibilidade com as funções do cargo. “Delegado de polícia é polícia. Em algum momento você vai ter que ir para a rua e defender um colega”, afirmou.
Candidato afirma que não houve adaptação para PCD
De acordo com Matheus Matos, mesmo concorrendo na condição de Pessoa com Deficiência (PCD), ele precisou realizar o teste físico nas mesmas condições aplicadas aos demais candidatos, sem qualquer adaptação.
Uma das provas exigia um salto mínimo de 1,65 metro na impulsão horizontal, requisito que, segundo ele, não considerou sua condição física.
O candidato também afirmou que não foi o único eliminado nessa etapa e que outros concorrentes com deficiência teriam enfrentado dificuldades semelhantes durante o teste.
Instituto de Nanismo critica situação
Após a repercussão do caso, o Instituto Nacional de Nanismo se manifestou publicamente. A entidade destacou que concursos públicos devem funcionar como instrumentos de inclusão, e não como mecanismos que dificultem o acesso de pessoas com deficiência a cargos no serviço público.
A discussão também levantou questionamentos sobre como devem ser estruturados os editais e as etapas físicas de concursos públicos.
Debate divide opiniões nas redes sociais
Nas redes sociais, o assunto rapidamente se transformou em debate. Parte dos internautas apoiou o professor, defendendo que a função policial exige determinadas condições físicas.
“O crime não vai se adaptar a ele”, escreveu um usuário. Outro comentou: “Gente, não é preconceito. É questão de lógica”.
Também houve quem defendesse mudanças nos critérios do concurso. “O que precisa ser modificado é o edital, para deixar claro quem pode ou não disputar a vaga”, opinou outro internauta.
Candidato diz que não vai desistir do sonho
Apesar da eliminação, Matheus Matos afirmou que não pretende abandonar o objetivo de se tornar delegado. Segundo ele, o sonho começou ainda nos primeiros períodos da faculdade de direito.
“Não é o meu tamanho que vai delimitar o meu sonho. Eu lutei anos para chegar até aqui e continuo acreditando que posso ser delegado”, declarou.
O caso segue repercutindo nas redes sociais e levanta discussões sobre acessibilidade, critérios físicos em concursos públicos e inclusão de pessoas com deficiência em carreiras de segurança pública.