Influenciadora acusada de armar sequestro para ganhar seguidores é presa
Segundo investigação, influenciadora Monniky Daiane de Fraga Caldas queria aumentar o engajamento nas redes com falso sequestro

(O Globo) A influenciadora digital Monniky Daiane de Fraga Caldas, de 27 anos, foi presa na cidade pernambucana de Iguarassu, na Operação Cortina de Likes, nesta terça-feira. Ela é acusada de fingir ter sido sequestrada em abril de 2025 para atrair novos seguidores para as suas redes sociais. Atualmente, ela é acompanhada por 27, 2 mil pessoas em seu perfil.
Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo Juízo da Vara Criminal de Igarassu, contra Monniky e um dos envolvidos no suposto falso sequestro. Eles são acusados de extorsão, fraude processual e falsa comunicação de crime.
De acordo com a Polícia Civil, um terceiro suspeito também seria alvo da operação, mas morreu no decorrer das investigações. Além disso, a delegacia ainda está apurando a participação de mais um individuo.

De acordo com Jorge Pinto, delegado adjunto do Grupo de Operações da Polícia Civil de Pernambuco (GOE/PCPE), que coordena a operação, as investigações começaram após Monniky denunciar o sequestro. Ela alegava ter sido vítima, junto de seu marido, no dia 21 de abril do ano passado.
Na mesma época, Fraga postou vídeos em suas redes desabafando sobre a suposta violência que teria sofrido. A mulher relatava que havia sido levada para uma área de mata por dois homens, que exigiam alta quantia de dinheiro para devolvê-los em liberdade.
— As investigações tinham por objetivo inicial a desarticulação de associação criminosa voltada ao cometimento de crimes de extorsão mediante sequestro. Porém, no curso das investigações, o Grupo de Operações Especiais conseguiu detectar que tudo não passou de uma fraude. Os indícios são muito fortes, no sentido de que a vítima, na verdade, teria sido a mentora de um falso sequestro, que foi cometido com o objetivo de angariar seguidores em redes sociais — afirmou o delegado.
De acordo com ele, o marido de Monniky não sabia das armações e chegou a ter um cordão de ouro roubado. Jorge Pinto afirma ainda que ela já conhecia um dos envolvidos no suposto sequestro.
— A influenciadora mantinha uma relação pretérita com um dos participantes do que a gente acreditava ser um sequestro. E, pelo o que a gente pôde constatar nas investigações, ela estava em baixa nas suas mídias sociais. Então, foram utilizados veículo clonado, arma de fogo, tudo isso para dar contorno de veracidade à trama — informou o integrante da GOE.
As ações contaram com a colaboração de 30 agentes e foram assessoradas pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco, contando ainda com o apoio operacional da Polícia Civil de São Paulo. O inquérito policial tem prazo de conclusão estimado para os próximos dez dias e, ao ser finalizado, será apresentado ao Ministério Público de Pernambuco, que decidirá se denunciará o caso à Justiça.