Perda da vontade de viver atinge duas vezes mais meninas que meninos
Pesquisa aponta avanço do sofrimento emocional entre adolescentes

A saúde mental dos adolescentes brasileiros acende um sinal de alerta. Dados recentes mostram que a perda da vontade de viver, além de sentimentos como tristeza, irritação e nervosismo, afetam muito mais as meninas do que os meninos — em alguns casos, mais que o dobro.
As informações são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, realizada com estudantes de 13 a 17 anos em todo o país. O levantamento analisou como os jovens se sentiram nos 30 dias anteriores à pesquisa e revelou números preocupantes.
De acordo com o estudo, 18,5% dos adolescentes disseram que sentiram que “a vida não vale a pena ser vivida” na maioria das vezes ou sempre. Quando separados por sexo, os dados mostram uma diferença significativa: 25% das meninas relataram esse sentimento, contra 12% dos meninos — ou seja, mais que o dobro.
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Tristeza e vontade de se machucar
Os números vão além da perda de sentido na vida. Em relação à tristeza frequente, 28,9% dos estudantes disseram ter se sentido assim na maior parte do tempo no último mês. Entre as meninas, o índice chega a 41%, enquanto entre os meninos é de 16,7%.
A pesquisa também investigou, pela primeira vez, a vontade de se machucar de propósito. O resultado chama atenção: 32% dos adolescentes afirmaram já ter tido esse pensamento nos últimos 12 meses. Entre as meninas, o percentual sobe para 43,4%, mais que o dobro dos 20,5% registrados entre os meninos.
Outro dado preocupante é o nível de irritação: 42,9% dos jovens disseram se sentir irritados, nervosos ou mal-humorados com frequência. Mais uma vez, as meninas aparecem com índice maior (58,1%), enquanto os meninos registraram 27,6%.
Insatisfação com o corpo cresce
Além das questões emocionais, o levantamento também mostrou que os adolescentes estão cada vez menos satisfeitos com a própria aparência. Atualmente, 58% dos estudantes se dizem satisfeitos com o corpo, número menor do que em anos anteriores.
Em contrapartida, 27,2% afirmaram estar insatisfeitos e 14% disseram não se importar com a própria imagem. A queda na satisfação é contínua: em 2015, o índice era de 70,2%, caiu para 66,5% em 2019 e seguiu em redução na pesquisa mais recente.
A diferença entre meninos e meninas também aparece nesse ponto. Entre as adolescentes, 36,1% disseram estar insatisfeitas com o corpo, quase o dobro dos 18,2% registrados entre os meninos.
Especialistas alertam que os dados reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre saúde mental nas escolas, além de fortalecer políticas públicas e apoio psicológico para jovens, principalmente entre as meninas, que aparecem como as mais afetadas pelos indicadores negativos.