REGISTRO

Foto na cadeia: Vorcaro parece sem barba e com cabelo aparado, e troca torno por calça bege e camisa branca

Fundador do Banco Master foi preso na quarta-feira (4) durante a terceira Operação Compliance Zero, da Polícia Federal

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, precisou retirar a barba e o bigode e aparar o cabelo, quando ingressou no Complexo Penal II de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, além de trocar o terno pela calça bege e camisa branca. Ele foi preso na quarta-feira (4) durante a terceira Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).

Nas primeiras imagens divulgadas do banqueiro após a prisão, ele aparece de frente e de perfil, e com a identificação “Polícia Penal – Daniel Bueno Vorcaro”.

Vorcaro chegou a ser levado para a Unidade Prisional de Potim, no Vale do Paraíba. Nesta sexta-feira (6), contudo, o banqueiro foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília.

Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero apura supostas irregularidades na gestão do banco Master, liquidado no ano passado pelo Banco Central. Conforme apuração, a instituição está envolvida em um esquema que teria provocado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro.

Este ocorreria por meio de emissão e comercialização de títulos de crédito sem lastro, conhecidos como “ativos podres”. Eles são usados para inflar artificialmente o patrimônio da instituição, além de ocultar fragilidades financeiras.

Além dos crimes de ameaça, a terceira fase da operação investiga Vorcaro por corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas da PF e até de organismos internacionais, como FBI e Interpol. A defesa do fundador do Master nega todas as acusações. Afirma, ainda, que ele não tentou obstruir as investigações.

Entre as ameaças que o banqueiro fazia a quem considerava adversário, conforme a PF, estava uma mensagem para intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Por meio de um assalto forjado, ele planejava “dar um pau” e “quebrar os dentes” do profissional.

Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em São Paulo e em Minas Gerais, além de quatro de prisão – também foram detidos Fabiano Zettel, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva. Na ocasião, houve, ainda, a determinação pelo afastamento de cargos públicos e de sequestro e de bloqueio de bens no montante de até R$ 22 bilhões.

Dinheiro oculto

Destaca-se que a PF descobriu que, após a primeira prisão, Vorcaro ocultou R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas do Banco Master na conta do pai dele. Esta foi aberta pela gestora de investimentos Reag, que é suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela também foi liquidada pelo Banco Central no fim do ano passado.

Membros do grupo e seus papéis, conforme a PF:

  • Daniel Vorcaro: líder de uma organização criminosa que atuava de forma estruturada e cooptava servidores de alto escalão para tentar influenciar a opinião pública para enfraquecer o Estado.
  • Fabiano Zettel: operador financeiro do grupo.
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão: responsável por coordenar as atividades do grupo.
  • Marilson Roseno da Silva: policial federal aposentado, que seria um integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento.

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