Haddad anuncia presidentes da Caixa e Banco do Brasil
Mulheres vão comandar os bancos públicos e senador é confirmado para a chefia da estatal

O futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou nesta sexta-feira o nome de duas mulheres para comandar o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
Para o BB, foi escolhido o nome de Tarciana Medeiros e para a Caixa, Rita Serrano. Segundo Haddad, o novo presidente da Petrobras também será anunciado nesta sexta-feira. O mais cotado para o cargo é o senador Jean Paul Prates (PT-RN).
— Tenho a honra de apresentar as novas presidentas da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Na Caixa Econômica Federal a Rita Serrano, que é uma funcionária da Caixa ha 33 anos, vai assumir a presidência a partir de 1º de janeiro. E no Banco do Brasil pela primeira vez na nossa história vamos ter uma mulher à frente do banco, que é a Tarciana Medeiros, que tem 22 anos de casa. Portanto, 22 anos de Banco do Brasil — disse Haddad.
O ministro disse que as duas conversaram com Lula e estão absolutamente alinhadas com o plano de governo.
— É uma agenda muito desafiadora e ambas estão bastante animadas com as tarefas que foram designadas pelo presidente da República — afirmou.
Brasileiros endividados
Haddad disse ainda que a preocupação imediata é a questão das famílias endividadas.
— O projeto de imediato que teremos que desenvolver nas próximas semanas é o Desenrola, que é a questão das famílias que estão endividadas, famílias de baixa renda, e para as quais a gente deve oferecer uma linha especial de crédito — disse.
Mais cedo, as duas se reuniram com o presidente Lula. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, registrou o momento nas redes sociais. O futuro ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o próximo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, participaram do encontro.
“Muita alegria hoje por participar do momento em que o presidente Lula convidou duas mulheres para presidir dois grandes bancos: Caixa Econômica e Banco do Brasil! Parabéns e sucesso Rita Serrano e Tarsiana Medeiros”, afirmou.
Mulheres no comando
O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já havia anunciado Aloísio Mercadante para o comando do BNDES. Nesta quinta, ele completou a escalação dos seus 37 ministérios.
Na ocasião, afirmou que os bancos seriam comandados por duas mulheres. O petista tenta aumentar a representatividade feminina no seu governo, a maior até agora. No entanto, ainda está longe da paridade.
— Vamos ter uma mulher presidenta da Caixa Econômica Federal e uma mulher presidenta do Banco do Brasil — disse nesta quinta-feira.
Atualmente, a Caixa é presidida por uma mulher, Daniella Marques. Ela assumiu o comando do banco público em junho, após a saída de Pedro Guimarães, que deixou o cargo em meio a denúncias de assédio sexual e moral.
Com ações negociadas na Bolsa de Valores, o BB nunca foi presidido por uma mulher e hoje é chefiado por Fausto Ribeiro.
Mercado avalia indicações
As indicações para as presidências dos bancos públicos não causaram surpresa no mercado financeiro. Analistas avaliam que a Lei das Estatais coloca obstáculos a indicações políticas, tendo favorecido então a nomeação de funcionárias de carreira.
O head de research da Guide, Fernando Siqueira, aponta que Luiz Inácio Lula da Silva repete o que fez em seu governo anterior, em 2003, com a indicação de pessoas ligadas ao partido e a sindicatos. Apesar disso, avalia que o impacto no mercado é pouco relevante quando comparado ao nome que irá assumir a Petrobras:
— O governo tem menos espaço para usar esses bancos para política pública, então não afeta tanto. Além disso, a Caixa nem é listada na Bolsa. Para o BB, a expectativa não era diferente. Já esperávamos uma indicação de funcionária de carreira.
Gabriel Meira, sócio da Valor Investimentos, diz que a resposta da Faria Lima irá vir apenas na segunda-feira, com alta ou baixa nas ações do Banco do Brasil. Em sua visão, porém, as indicações técnicas não serão recebidas negativamente:
— Uma pessoa que tem 22 anos de banco significa que tem um bom conhecimento da instituição. O único temor é que a presidente do BB também tenha uma visão parecida com a indicada para a Caixa, contra privatizações. De toda forma, sabemos que é pouco provável a diminuição do estado no próximo mandato.