Jeffrey Epstein tem CPF ativo no Brasil e discutiu sobre ‘naturalização’ em e-mail
Morto em 2019, americano ainda tem documento brasileiro em 'situação regular' junto à Receita Federal

O criminoso sexual Jeffrey Epstein, que morreu na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento pelo caso que envolve acusações de exploração sexual de menores de idade e tráfico humano, tem um CPF regular junto à Receita Federal do Brasil. O documento expedido em nome de Epstein foi citado em uma lista de bens apreendidos pelas autoridades americanas, divulgada na última leva de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA.
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Em um dos arquivos colocados para consulta pública pelas autoridades americanas, envolvendo a investigação de Epstein, que parece ser um inventário de documentos apreendidos pela polícia, as autoridades americanas apontam a existência de um “CPF brasileiro” junto com uma procuração. Por se tratar de uma lista descritiva, não há informações sobre qualquer possível uso dado pelo magnata ao documento.
Em consulta ao sistema da Receita Federal nesta quinta-feira, um CPF emitido em nome de Jeffrey Edward Epstein aparece em “situação regular”. As informações da indicam que o registro foi feito no dia 23 de abril de 2003. A data de nascimento no documento confere com a do magnata americano.
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Os documentos do caso Epstein mostraram alguns vínculos e interesses do criminoso com o Brasil e com cidadãos brasileiros. Em e-mails e trocas de mensagem com uma série de interlocutores, Epstein mencionou políticos, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, empresários como Eike Batista. Não há confirmação sobre contato direto com nenhum deles. O bilionário enviou valores para ao menos um brasileiro, Reinaldo da Silva, casado com o ex-embaixador do Reino Unido em Washington, Peter Mandelson (o que abriu uma crise no governo trabalhista liderado por Keir Starmer, que o indicou ao cargo) e negociou a compra de uma agência de modelos brasileira para “ter acesso a garotas”.
Em uma troca de e-mails com a empresária alemã Nicole Junkermann — com quem tinha importantes laços comerciais —, Epstein chega a tratar sobre a ideia de tirar cidadania brasileira. Em um e-mail de 5 de outubro de 2011, Nicole pergunta ao americano o que ele acha de “tirar a cidadania brasileira?”. No mesmo dia, o financista responde que considera a ideia “interessante”, mas acrescenta: “vistos podem ser um problema, quando viajar para outros países”. As mensagens não oferecem qualquer contexto quanto à discussão.
Embora seja possível para qualquer estrangeiro registrar um CPF no Brasil, a prática é incomum para quem busca apenas visitar ao país. A documentação indica que o empresário pode ter tido interesse em expandir seus negócios em território nacional. Outras comunicações mostram que Epstein tentou se aproximar de figuras importantes dos setores financeiro e empresarial do Brasil.
Em uma resposta a reportagem do G1, a Receita Federal infirmou que qualquer medida relacionada ao CPF de uma pessoa estrangeira falecida só pode ser solicitada por inventariante, cônjuge, beneficiário de pensão por morte, companheiro, parente ou sucessor legal — sendo cada um destes condicionado a haver ou não bens a inventariar no Brasil.
*VIA O GLOBO