Justiça de Goiás condena 17 réus por golpes digitais e impõe 106 anos de prisão ao líder do grupo
Esquema fraudulento tinha como alvo idosos e familiares de médicos e advogados

A Justiça de Goiás condenou a mais de 100 anos de prisão o líder de uma organização criminosa responsável por golpes cibernéticos em escala nacional, após uma investigação que revelou movimentações milionárias, milhares de contatos telefônicos e o uso massivo de chips para aplicar fraudes. Outros 16 envolvidos no esquema também foram condenados à prisão e terão de pagar R$ 5 milhões por danos morais coletivos. A decisão da 2ª Vara das Organizações Criminosas determinou o confisco de joias, veículos e imóveis obtidos por meio de golpes que tinham como alvo principal pessoas idosas e familiares de médicos e advogados.
Além do líder Wanderson Barbosa da Silva, que comandava toda dinâmica do golpe, a quadrilha era dividida em funções bem definidas. Cada integrante tinha uma tarefa para que os golpes funcionassem como uma “linha de produção”. Outras 16 pessoas também foram condenadas conforme a participação de cada uma no esquema.
Leia mais
- Ex-gestor da SMTA de Aparecida é condenado por desvio de recursos e fraudes em contratos
- Líder de facção criminosa é condenado em Goiânia
Coordenação e controle do dinheiro
A quadrilha operava como uma central de fraudes, em que cada pessoa tinha uma função específica dentro do esquema. Esses integrantes cuidavam da logística, do repasse de valores e da divisão do dinheiro roubado:
- João Gabriel de Oliveira Siqueira – 47 anos e 4 meses
- Glauber Henrique Rustiguel do Nascimento – 45 anos e 5 meses
- Alexandre Pereira da Silva – 45 anos e 4 meses
- Fernando dos Santos Oliveira – 41 anos e 10 meses
Eles tinham acesso direto às contas bancárias usadas para receber os valores das vítimas e ajudavam a esconder a origem do dinheiro.
Operadores dos golpes
Eram os responsáveis por falar com as vítimas, enviar mensagens, fazer ligações e se passar por parentes, médicos, advogados ou conhecidos:
- Kelle Cristina Sousa Lima – 26 anos e 8 meses
- Felipe Pereira Machado – 22 anos e 4 meses
- Elias Júnior de Oliveira Clarindo – 20 anos e 11 meses
- Thalita Rodrigues de Jesus – 20 anos
- Michael Jacson Pereira da Silva – 20 anos
- Rodrigo de Jesus Ferreira – 18 anos e 11 meses
Nos celulares apreendidos, a polícia encontrou milhares de imagens de médicos, advogados e familiares, usadas para criar histórias falsas e tornar os golpes mais convincentes.
Organização das vítimas e coleta de dados
Esses integrantes cuidavam de montar listas com nomes, fotos, telefones e parentes das pessoas que seriam enganadas:
- Lorrayne Gabriela de Souza – 12 anos e 2 meses
- Fernando Barbosa da Silva – 11 anos e 1 mês
Nos celulares apreendidos, a polícia encontrou milhares de imagens de médicos, advogados e familiares, que eram usados para criar histórias falsas e tornar os golpes mais convincentes.
Contas bancárias e movimentação do dinheiro
Esses réus eram usados para abrir contas, receber transferências e repassar o dinheiro para o grupo:
- Jhonny Galdino Leda – 5 anos
- Tairany Neves do Nascimento – 4 anos e 10 meses
- Danielle Braga Carapina – 4 anos e 10 meses
- Pablo Felipe Alves dos Santos – 4 anos e 4 meses
Eles funcionavam como “pontes” para que o dinheiro roubado não fosse facilmente ligado aos chefes do esquema.
De acordo com o Ministério Público, apenas cinco integrantes do grupo movimentaram mais de R$ 14 milhões entre 2021 e 2024. Os criminosos usavam celulares com dezenas de chips diferentes para se passar por parentes, amigos ou profissionais conhecidos das vítimas e pedir dinheiro com falsas histórias de emergência.
Em apenas um dos aparelhos apreendidos, a polícia encontrou quase 78 mil contatos, o que mostra o tamanho do esquema e o número de pessoas que poderiam ter sido enganadas.
Todo o dinheiro, carros, imóveis, joias e outros bens apreendidos serão destinados ao pagamento das vítimas após o fim do processo. O valor de R$ 5 milhões por danos coletivos também deverá ser pago pelos condenados de forma conjunta.
Leia também