Líderes de organizadas do Ceará e Fortaleza renunciam após caos e prisões de torcedores
Confrontos terminaram com 359 detidos e manutenção da prisão de 231 adultos pela Justiça

O empate em 0 a 0 entre Ceará e Fortaleza, pelo Campeonato Cearense, no último domingo (8/2), ficou em segundo plano diante da onda de violência registrada antes do Clássico-Rei, em Fortaleza. Após confrontos generalizados que resultaram em 359 detidos, presidentes e lideranças de torcidas organizadas anunciaram renúncia aos cargos, enquanto a Justiça manteve a prisão da maioria dos adultos envolvidos.
As brigas ocorreram em diferentes bairros da capital cearense, como Edson Queiroz, Jardim Iracema, Passaré, Bom Jardim e Barra do Ceará. Segundo a Polícia Militar, torcedores rivais — e até integrantes das mesmas organizadas — trocaram socos, chutes, pedras, pedaços de madeira, rojões, socos-ingleses e artefatos explosivos artesanais. Apesar da gravidade dos confrontos, não houve registro de mortes. Três pessoas ficaram feridas e foram socorridas.
Renúncias após repercussão
Em meio à repercussão dos episódios, lideranças da Torcida Organizada Cearamor (TOC), da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), da Torcida Organizada Cearamor – Bairro Bom Jardim e do Movimento Organizado Força Independente (MOFI) divulgaram vídeos anunciando a saída dos cargos.
Entre eles, Weslley Paulo, conhecido como Dudu, e Anderson Xiboi afirmaram que não respondem mais pela liderança da Cearamor e da TUF, respectivamente. Até o momento, não há confirmação oficial de que as renúncias estejam relacionadas a mensagens atribuídas a uma facção criminosa que passaram a circular nas redes sociais após os confrontos.
Mensagens de facção são investigadas
As mensagens, que teriam sido enviadas a líderes de torcidas organizadas, determinariam a proibição de brigas entre torcedores de Ceará e Fortaleza. No conteúdo, o grupo criminoso afirmaria que os confrontos “trazem problemas para a organização e sistema para dentro da quebrada”, em referência à presença policial nas comunidades.
O caso é acompanhado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). Em nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Civil apura todas as informações relacionadas a possíveis ações criminosas e destacou que os setores de Inteligência das forças de segurança auxiliam nas investigações.
Prisões mantidas pela Justiça
Ao todo, 359 pessoas foram detidas, sendo 246 adultos e 113 adolescentes. Após dois dias de audiências, o Tribunal de Justiça do Ceará converteu em preventiva a prisão de 231 adultos. Outros 15 foram liberados, dos quais 12 deverão cumprir medidas cautelares.
Entre os adolescentes apreendidos, 97 foram liberados ainda na Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Dos 16 encaminhados à 5ª Vara da Infância e Juventude, 12 receberam medida socioeducativa de liberdade assistida, três foram liberados e um teve a internação provisória decretada.
Diante do elevado número de prisões em flagrante, o TJ designou, em caráter excepcional, dez magistrados para reforçar os trabalhos. O MPCE também ampliou de quatro para onze o número de procuradores responsáveis pelo acompanhamento do caso.
Vídeos mostram agressões e constrangimento
Imagens gravadas por testemunhas mostram brigas em via pública, inclusive com confrontos entre torcedores do mesmo time. Em uma das ocorrências, no bairro Edson Queiroz, equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) capturaram 184 pessoas, sendo 103 adultos e 81 adolescentes. Com o grupo, foram apreendidos rojões, balaclavas, entorpecentes, celulares e artefatos explosivos artesanais.
Outro vídeo que circulou nas redes sociais mostra torcedoras do Fortaleza obrigando torcedoras do Ceará a retirarem camisas do time adversário nas imediações da Arena Castelão. As vítimas teriam sido coagidas em via pública e ficaram parcialmente expostas durante a abordagem.
Os envolvidos poderão responder por crimes como associação criminosa, corrupção de menores, lesão corporal, desacato, desobediência, resistência e tumulto, conforme previsto na Lei Geral do Esporte. O caso segue sob investigação.