Lula mira evangélicos e conservadores com discurso sobre bets e fim da escala 6×1
Presidente fez uso de apelo religioso para criticar plataforma de apostas

O presidente Lula e seu governo têm aproveitado dois temas em alta no debate público para tentar conquistar eleitores evangélicos e conservadores às vésperas das eleições de 2026: a regulação das apostas online (bets) e o projeto que propõe o fim da escala de trabalho 6×1. As estratégias incluem o uso de linguagem religiosa e a associação das pautas à defesa da família.
Em entrevista a veículos de imprensa na terça-feira (14), Lula se posicionou contra as plataformas de apostas com apelo religioso. “Nós brigamos a vida inteira contra cassino, eu pelo menos, como cristão, agora o cassino está dentro da sua casa”, disse o presidente, que é católico. Ele também atribuiu parte do endividamento da população às bets: “E agora tem as bets para assaltar o povo”. Na mesma ocasião, afirmou ter o “compromisso moral, ético e até cristão de não permitir que os fascistas voltem a governar”.
Na quarta-feira (15), o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, reforçou o aceno ao público conservador ao divulgar o envio de um projeto de lei para acabar com a escala 6×1. “O projeto de lei com urgência do fim da escala 6×1 é o projeto da família trabalhadora. Porque quem defende a família no Brasil, defende que o trabalhador e a trabalhadora possam ficar mais tempo com a sua família”, declarou. Boulos ainda argumentou que a mudança daria às pessoas mais tempo para frequentar igrejas, algo especialmente relevante para mulheres sobrecarregadas com a dupla jornada.
A aproximação com o eleitorado evangélico responde a um cenário desfavorável nas pesquisas. Segundo levantamento Datafolha recente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula para 2026, tem o dobro da intenção de voto do presidente entre evangélicos. No cenário geral de segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 45% e 46%, respectivamente, dentro da margem de erro.
Lula historicamente resistiu a misturar religião e política, acreditando que propostas econômicas seriam suficientes para atrair o segmento religioso. Pesquisas internas e públicas, porém, mostraram que essa estratégia não funcionou, o que levou o governo a adotar uma abordagem mais direta de diálogo com o público conservador e evangélico.
Com informações da Folha de S. Paulo.
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