URUGUAI

Mujica anuncia saída da política por sofrer de doença imunológica crônica

O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica (2010-2015) anunciou sua saída definitiva da política por…

O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica (2010-2015) anunciou sua saída definitiva da política por causa de uma doença imunológica crônica. O político da Frente Ampla de esquerda, eleito senador em 2014, em seu último ano na Presidência, vai cumprir o mandato até outubro e depois se aposentar.

Eu amo a política e não queria ir, mas amo ainda mais a vida. Preciso administrar bem os minutos que me restam — disse Mujica ao deixar no domingo a seção eleitoral em que votou nas eleições regionais uruguaias. — É claro que a política obriga a ter relações sociais e tenho que me cuidar, não posso ir de um lado para outro por causa da pandemia e isso seria algo ruim para um senador.

O ex-presidente revelou que, devido à doença imunológica, não poderá tomar uma vacina contra o novo coronavírus quando ela for disponibilizada. Em 2018, quando anunciou que deixaria a política, Mujica disse em uma carta estar “cansado da longa viagem” e que iria se “refugiar na aposentadoria”, embora tivesse declarado também que jamais iria “renunciar à solidariedade e à luta de ideias”.

Aos 85 anos, Mujica tem uma longa carreira política e de militante. Durante a sua juventude, fez parte da guerrilha Tupamaros que lutava contra a ditadura militar no país — o que lhe rendeu 13 anos de prisão.

No poder, acabou ficando conhecido mundialmente por sua postura e vida simples — até hoje, ele se locomove com um velho fusca azul — e por ter um governo mais progressista, com a descriminalização do aborto e da maconha, além da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O político também doou grande parte de seu salário na Presidência por considerar que no Uruguai “vivem muitas pessoas pobres”.

Esquerda mantém governo de Montevidéu

Nas eleições regionais de domingo, a Frente Ampla conseguiu manter apenas três dos seis governos departamentais que controlava, incluindo seu reduto em Montevidéu. Das outras cinco regiões que controlava, saiu vitoriosa em apenas duas: Canelones, o segundo departamento (estado) mais populoso do país depois da capital, com mais 500 mil habitantes, e Salto.

A Frente Ampla recebeu 51,66% dos votos em Montevidéu, contra 39,68% da coalizão de centro-direita que conquistou o governo nacional nas eleições de 2019, de acordo com os dados oficiais do Tribunal Eleitoral, que concluiu a apuração na madrugada de segunda-feira.