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Mulher usa caneta emagrecedora falsificada e é internada em estado grave em BH

Internação ocorreu após uso de remédio ilegal e sem orientação médica

Uma mulher que usou uma caneta emagrecedora falsificada, de origem paraguaia, está internada em estado grave desde dezembro no HC-UFMG (Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais), em Belo Horizonte. Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos, utilizou o medicamento para emagrecer sem prescrição médica, adquirido de forma ilegal.

Segundo familiares, em entrevista ao G1, Kellen deu entrada inicialmente no Hospital João XXIII, com fortes dores abdominais, onde foi constatada intoxicação medicamentosa. Diante da gravidade do quadro, ela foi transferida para o HC-UFMG. Com a evolução do caso, a paciente passou a apresentar complicações neurológicas e há suspeita do desenvolvimento de uma síndrome que afeta a musculatura, os movimentos, a fala e o funcionamento de órgãos.

Nas redes sociais, uma das filhas relatou que a mãe sofreu 16 convulsões, precisou ser entubada e passou por traqueostomia. O hospital informou que não divulga detalhes sobre o estado de saúde da paciente.

Especialistas alertam para os riscos do uso de medicamentos sem registro. A diretora da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), Flávia Coimbra, afirma que produtos sem aprovação sanitária e usados sem acompanhamento médico oferecem alto risco à saúde, podendo causar efeitos colaterais graves, como hiperglicemia, infecções, contaminações e agravamento de doenças pré-existentes.

Já o endocrinologista Rodrigo Lamounier, da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), destaca que medicamentos de origem desconhecida têm riscos imprevisíveis, já que não é possível garantir a composição, a dosagem ou a ausência de contaminantes. “Por se tratar de um medicamento injetável, o risco é ainda maior”, alertou.

Anvisa proíbe medicamentos irregulares

Nesta quarta-feira (21), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a apreensão e proibição da tirzepatida das marcas Synedica e TG, além da retatrutida, de todas as marcas e lotes. A medida também inclui os produtos T.G. 5, Lipoless, Lipoless Éticos, Tirzazep Royal Pharmaceuticals e T.G. Indufar.

Segundo a agência, os medicamentos foram fabricados por empresas desconhecidas e comercializados ilegalmente pelas redes sociais, sem qualquer registro ou autorização sanitária. “Não há garantia sobre o conteúdo ou a qualidade desses produtos, que não devem ser usados em nenhuma hipótese”, informou a Anvisa.

A prefeitura de Belo Horizonte afirmou que a Vigilância Sanitária realizou fiscalizações após denúncias sobre o uso indevido de medicamentos. Um dos estabelecimentos vistoriados foi multado por fracionamento irregular, enquanto outro não apresentou irregularidades.