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ONG acusa lojas H&M e Zara de ligação com desmatamento ilegal no Brasil

Fornecedores de algodão das duas empresas teriam, também, envolvimento em apropriação de terras, corrupção e violência nas plantações

ONG acusa lojas H&M e Zara de ligação com desmatamento ilegal no Brasil: Um relatório da ONG Earthsight denunciou nesta quinta-feira (11) o cultivo industrial de algodão no Cerrado brasileiro, utilizado principalmente na fabricação dos jeans do grupo Inditex, proprietário da Zara, e da marca H&M. Na França, os sites dos jornais Le Monde e Libération publicaram as conclusões da investigação intitulada “Crimes da moda. Gigantes europeus envolvidos no escândalo do algodão brasileiro”.

O relatório mostra que as plantações de algodão no Brasil estão contribuindo para a destruição do Cerrado, que é importante para absorver gases que causam mudanças climáticas. O algodão brasileiro é enviado para a Ásia, onde é usado para fazer roupas vendidas por essas grandes marcas.

Os pesquisadores da Earthsight passaram um ano investigando o caso, que envolveu análise de dados e atas empresariais e jurídicas, visualização de imagens de satélite e entrevistas com agricultores. Eles descobriram que duas grandes empresas brasileiras, Grupo Horita e SLC Agrícola, estão lucrando com o desmatamento ilegal para plantar algodão. Essas empresas vendem seu algodão para marcas famosas, mesmo que tenham destruído parte da natureza para cultivá-lo.

O estudo mostra ainda que essas empresas estão explorando áreas onde não deveriam estar plantando algodão. Isso acontece principalmente no oeste da Bahia. Uma das empresas tem uma fazenda com muitos hectares de algodão. Eles até foram multados várias vezes por isso. Outra empresa também foi pega desmatando uma área grande em 2022.

O Libération publicou que o setor da moda é uma das indústrias mais poluentes do planeta. “O cultivo do algodão, estrela dos têxteis, é um verdadeiro coquetel explosivo para o meio ambiente, devido à utilização massiva de agrotóxicos e de uma enorme quantidade de água doce”.

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