Preço em alta faz brasileiro adiar troca de celular e mercado deve encolher em 2026
A expectativa de especialistas é de uma alta de até 20% nos preços ao longo de 2026

O aumento dos preços dos celulares tem levado o brasileiro a postergar a troca do aparelho, movimento que ajuda a frear as vendas no país mesmo com desemprego baixo e renda em alta. A expectativa de especialistas é de uma alta de até 20% nos preços ao longo de 2026, num cenário em que o consumidor tenta esticar ao máximo a vida útil do telefone.
A consultoria IDC estima que o mercado brasileiro termine 2026 com 31,6 milhões de celulares vendidos, abaixo dos 31,9 milhões de 2025, no menor nível desde 2012. Para analistas, a combinação de custos mais altos e compra parcelada pressionada por juros elevados reduz o impulso de renovação, especialmente entre quem busca modelos acessíveis.
Entre os fatores por trás do encarecimento, pesa a alta dos chips de memória, impulsionada pela demanda de data centers que ampliam infraestrutura para sistemas de inteligência artificial. No Brasil, a valorização do dólar em patamar acima de R$ 5 encarece componentes importados, e a taxa de juros em torno de 15% ao ano dificulta o financiamento, comum na compra de celulares.
Do lado da indústria, a resposta tem sido concentrar lançamentos em aparelhos mais “turbinados” e caros, elevando a margem por unidade. Os dados indicam mudança no perfil do mercado: a fatia de celulares de até R$ 1.500 caiu de 66% em 2024 para pouco mais de 46% em 2025, enquanto os modelos entre R$ 1.500 e R$ 4.999 avançaram para 38% e passaram a sustentar o setor. Também cresce a participação de aparelhos acima de R$ 5 mil.
Para viabilizar a troca, redes varejistas, fabricantes e operadoras têm reforçado programas de trade-in, em que o consumidor entrega o aparelho antigo para obter desconto no novo, além de promoções e financiamento. A estratégia tenta compensar a resistência do comprador a pagar mais e, ao mesmo tempo, estimular a migração para categorias intermediárias e premium, onde as empresas buscam manter resultados mesmo com volumes estagnados.
Com informações de O Globo
Leia também: