Quantas vezes pode se masturbar por dia? Sexólogo esclarece
Especialista explica que a chave não tem relação com quantidade, mas com o efeito que se masturbar tem na vida cotidiana

(O Globo) Há séculos a masturbação tem sido cercada de silêncio e preconceito. Embora a ciência tenha refutado antigas crenças que a associavam à cegueira, esterilidade ou até mesmo à morte, muitas pessoas ainda se sentem culpadas ou a veem como um assunto proibido. Na realidade, a pergunta mais comum não é se é certo ou errado, mas sim com que frequência pode ser considerado “normal”.
O sexólogo clínico Laurent Marchal Bertrand, psicólogo formado pela Universidade Católica de Leuven e professor em diversas universidades colombianas, afirma que a resposta não depende de um número. A chave, explica ele, está no efeito que a prática tem na vida cotidiana.
Entre a saúde e o mito
Evidências científicas indicam que a masturbação é uma das formas mais seguras de explorar a sexualidade. Marchal afirma que ela permite reconhecer o próprio corpo, descobrir as próprias zonas erógenas e compreender as próprias preferências.
Além disso, estudos mostram benefícios associados, como redução do estresse, melhora da qualidade do sono, da autoestima sexual e até na prevenção de certas disfunções.
Nos homens, alguns estudos sugerem que a masturbação pode ajudar a reduzir o risco de disfunção erétil na idade adulta. Enquanto nas mulheres, pode promover a lubrificação e a resposta erótica — muito útil após a menopausa.
No entanto, o especialista insiste que a questão não é contar o número de vezes, mas sim observar se se torna uma atividade compulsiva ou excludente. Se interfere nos relacionamentos, no trabalho ou na vida social, pode se tornar uma fonte de desconforto em vez de prazer.
O que determina a frequência
Idade, gênero e circunstâncias pessoais influenciam a regularidade da masturbação. Estudos internacionais mostram que adolescentes e jovens adultos tendem a praticá-la com mais frequência, enquanto adultos mais velhos continuam a praticá-la com mais frequência, embora em menor intensidade.
As diferenças entre homens e mulheres também são claras. Um estudo de 2022 na Noruega descobriu que a maioria dos homens praticava o ato sexual de duas a três vezes por semana, enquanto a maioria das mulheres praticava de duas a três vezes por mês.
Ter ou não um parceiro também marca um contraste: em alguns casos, a masturbação complementa uma vida sexual compartilhada; em outros, serve como uma forma de compensar a solteirice.
Somam-se a esses fatores o estado de saúde, o nível de estresse e o bem-estar emocional. Quando o corpo é submetido a estresse físico ou mental, o desejo pode aumentar ou diminuir, alterando a frequência sem necessariamente indicar um problema.