Turistas goianos denunciam que foram sequestrados por policiais no Paraguai e sofreram extorsão de 10 mil dólares
Sem passaportes e sem o carro, Jefferson e o amigo aguardam ajuda para retornar ao Brasil após denunciarem policiais paraguaios

Turistas goianos denunciam que foram sequestrados e mantidos em cativeiro por policiais paraguaios que exigiam 10 mil dólares (cerca de R$ 50 mil) para não forjarem um crime de tráfico internacional. A denúncia foi feita por Jefferson Matheus Ferreira Alves Barbosa Santiago, que afirma ter sido sequestrado junto com a namorada paraguaia e um amigo brasileiro, Joaquim Francisco Itacarambi Neto, durante uma barreira policial na última segunda-feira (26), na região de Raúl Peña, a cerca de 75 km de Ciudad del Este. O grupo foi levado para uma unidade policial isolada, onde sofreu tortura psicológica e foi forçado a enviar fotos algemados para familiares como forma de pressão por dinheiro. O esquema resultou na prisão do subchefe da Subcomisaria e de outros três policiais fardados.
Segundo Jefferson, tudo começou quando o trio seguia viagem para Carmen del Paraná, onde a namorada iria visitar familiares. Em uma primeira barreira policial, os agentes teriam exigido propina. “Eles cobraram 1.150.000 guaranis para deixar a gente seguir”, relata. Na segunda abordagem, o carro foi liberado, mas na terceira barreira a situação mudou drasticamente. “Eles falaram que tinha cocaína dentro do carro e da mochila. Aí pegaram a gente e levaram à força. A gente não foi por vontade própria. Depois fomos descobrir que era uma delegacia na beira da rodovia”, contou.
No local, o grupo teria sido mantido algemado, em cárcere, durante toda a noite, enquanto os policiais exigiam dinheiro para não formalizar uma acusação de tráfico internacional. “Eles ficavam pedindo 10 mil dólares. Mandaram a gente tirar foto algemado e enviar pra família, pedindo dinheiro. Foi uma pressão psicológica absurda”, disse Jefferson.

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Falso resgate virou flagrante
Sob a acusação de tráfico internacional, o grupo foi pressionado a pagar um valor para não ser formalmente autuado. “A gente estava sem entender nada. Do nada viraram a gente em traficante”, relatou Jefferson. Na manhã seguinte, ele conseguiu convencer dois policiais a levá-lo até um hotel em Ciudad del Este sob o argumento de buscar o dinheiro. “Um deles sacou uma faca, mas aceitaram me trazer”, disse.
No hotel, Jefferson aproveitou uma oportunidade para se afastar dos agentes e correu em direção à região da Ponte da Amizade, onde procurou ajuda das autoridades paraguaias. Em contato telefônico, indicou aos policiais que estaria retornando e, quando eles chegaram ao local, foram interceptados por uma equipe que realizou a prisão em flagrante.
A ação resultou na detenção de quatro integrantes da Subcomisaria Nº 047, entre eles o subchefe da unidade. Mesmo após as prisões, Jefferson afirma que o grupo segue sem acesso aos pertences e ao veículo alugado. “Eles levaram todo o dinheiro e não liberaram o carro”, disse. O grupo também relata dificuldades para compreender os documentos que está sendo solicitado a assinar. “A gente não sabe o que está assinando. Estamos sem advogado e sem apoio consular”, afirmou.
O Mais Goiás entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), com a Polícia Federal na região de fronteira e com o Gabinete de Assuntos Internacionais do Governo de Goiás para obter informações sobre a situação dos brasileiros.
Em nota, o Itamaraty informou que “o Ministério das Relações Exteriores, por meio do Consulado-Geral em Ciudad del Este, permanece à disposição para prestar assistência consular aos nacionais brasileiros”. O órgão esclareceu ainda que “o atendimento consular é prestado a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família” e que a atuação segue a legislação internacional e nacional. A pasta também afirmou que, por força da Lei de Acesso à Informação e do Decreto nº 7.724/2012, não divulga dados pessoais nem detalhes sobre a assistência prestada.
Até o fechamento desta reportagem, os demais órgãos ainda não haviam se manifestado.
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