Bruno Mars e seu 24K Magic são os grandes vencedores do Grammy Awards 2018

Em todos os 60 anos de premiação, esta foi a edição com maior diversidade no palco e nas indicações, mas engajamento político deixou a desejar

Aconteceu na noite deste domingo (28), a 60ª edição do Grammy Awards, a premiação mais significativa da indústria da música. Em todos os anos de cerimônia, 2018 teve a edição que mais celebrou a diversidade em performances e indicações. Kendrick Lamar e Bruno Mars, dois artistas negros, saíram como os grandes vencedores da noite.

Mars levou para casa os prêmios mais importantes da noite: Álbum do Ano (com 24k Magic), Gravação do Ano (com a faixa que dá nome ao disco) e Música do ano (com That’s What I Like). Ele também levou para casa as estatuetas de Melhor Música de R&B, Melhor Performance de R&B, Melhor Engenheiro de Álbum Não-Clássico e Melhor Álbum de R&B, totalizando sete gramofones dourados.

Lamar, com a crítica social no disco DAMN. levou para casa os prêmios: Melhor Álbum de Rap, Melhor Performance de Rap (com a faixa Humble), Melhor Performance Cantada de Rap (com Loyalty, uma parceria com Rihanna) e Melhor Videoclipe (também com Humble). Ao todo, Kendrick abocanhou quatro prêmios.

Apesar de não ter levado para casa os prêmios mais importantes da noite, Kendrick Lamar abriu as apresentações do Grammy Awards com uma performance de cunho político – uma das poucas da noite, ao contrário do que aconteceu no ano passado. A performance criticava o poder bélico norte-americano e teve a participação da banda U2 e do comediante Dave Chappelle.

Performances mornas

Comandada mais uma vez pelo humorista James Corden a cerimônia do Grammy Awards seguiu morna do início ao fim. Não teve Lady Gaga fazendo mosh no público – este ano, ela preferiu algo mais cru, uma performance com voz e piano para as canções Joanne e Million Reasons; não teve Katy Perry criticando a proposta de muro separatista de Donald Trump; e não teve Tribe Called Quest e Anderson .Paak, acompanhados de Busta Rhymes, falando de um “presidente laranja”.

Algumas performances, entretanto, se destoaram e tocaram o coração de quem assistia. Após anos conturbados com brigas judiciais que poderiam dar fim à sua carreira, Kesha subiu ao palco com Cyndi Lauper, Bebe Rexha, Andra Day, Julia Michaels e Camilla Cabello para cantar a música Praying, pedindo um fim ao abuso na indústria da música. As artistas foram anunciadas por Janelle Monae, que bradou em alto e bom som: “para aqueles que ousam nos silenciar, digo apenas isso: basta”, fazendo referência ao movimento Time’s Up.

Kesha concorria – pela primeira vez em sua carreira – em duas categorias: Melhor Performance Pop Solo (com a música Praying) e Melhor Álbum de Pop (com Rainbow). Nas duas categorias, a cantora perdeu para o britânico Ed Sheeran.

Logic, acompanhado de Khalid e Alessa Cara – que levou o Grammy de Artista Revelação e disse que “tem muita gente que faz música boa por aí, mas que não são conhecidos por causa de um concurso de popularidade na indústria” – cantaram a faixa 1-800-273-8255. O nome da faixa é o número da Linha Nacional de Prevenção ao Suicídio nos Estados Unidos.

Na performance, Logic pediu união e quis passar uma mensagem clara: “você não está sozinho”. “Eu digo que você nos traga os seus os seus pobres e quaisquer imigrantes que buscam por refúgio, porque juntos nós podemos construir não só um país melhor, mas um mundo destinado a ser unido”, disse o artista.

U2 também não decepcionou e dedicou sua apresentação de Get Out Of Your Own Way aos imigrantes. A banda se apresentou direto do Rio Hudson, bem em frente à Estátua da Liberdade. Antes de encerrarem, Bono Vox usou um megafone para dizer: “abençoados são os países de m***a, porque eles nos deram o sonho americano”, em uma clara referência à fala de Donald Trump ao Haiti e outros países.

Sam Smith; Childish Gambino; Bruno Mars e Cardi B; Rihanna e DJ Khalid; Miley Cyrus e e; e SZA. Cantaram apenas por cantar e, apesar de terem entregado à audiência boas performances, foram apenas isso: performances.

Luis Fonsi e Daddy Yankee também entregaram uma apresentação morna para o grande hit mundial Despacito. Entretanto, eles se destacaram por mudarem todo o mercado fonográfico mundial em 2017 e celebrarem a conquista com uma performance no Grammy Awards.

(Foto: Reprodução)

Vale destacar ainda a apresentação da cantora P!nk, que resolveu abaixar os padrões este ano. Ao invés de cantar pendurada em cima de prédios ou fazendo acrobacias e danças, a popstar optou por algo mais sóbrio: descalça, usando jeans e camiseta branca, ela performou Wild Hearts Can’t Be Broken, acompanhada de uma tradutora da língua de sinais, que fazia a interpretação da faixa.

Expectativas não cumpridas

Muitas apostas foram feitas assim que os indicados ao Grammy Awards saíram. Despacito, por exemplo, era uma das canções com mais fichas, apesar de hoje ter mais haters que fãs. A música que catapultou Luis Fonsi perdeu em todas as categorias em que concorria.

O efeito oposto aconteceu com Ed Sheeran. Este ano, ele era o candidato menos provável de ganhar nas categorias em que concorria e acabou levando as duas estatuetas. O britânico deu uma rasteira em Kesha – que, nas redes sociais, era a favorita – Lady Gaga, Coldplay, Lana del Rey e Imagine Dragons.

Jay-Z esteve em todas as listas de Melhores do Ano da imprensa especializada com seu disco 4:44 e, por fim, saiu de mãos abanando – pela primeira em muito tempo. Apesar de isso não fazer muita diferença, já que ele foi consagrado como o Ícone da Indústria da Música de 2018. Lorde, também aclamada pela imprensa com o disco Melodrama, ficou de mãos vazias. E teve apenas uma indicação.

Além disso, nenhuma mulher ganhou um prêmio de destaque na premiação, com exceção de Alessia Cara, a Artista Revelação.

Veja a lista completa dos ganhadores aqui.