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Capitão da PM denuncia caso de homofobia, mas é preso por desacato no MS

Tudo aconteceu após ele denunciar o crime

Capitão da PM denuncia caso de homofobia, mas é preso por desacato no MS
Capitão da PM denuncia caso de homofobia, mas é preso por desacato no MS (Foto: Facebook/Reprodução)

O capitão da Polícia Militar, Felipe dos Santos Joseph, foi preso em flagrante nesta quinta-feira (8), em Campo Grande (MS), acusado de insubordinação por seu superior imediato, um tenente-coronel. Na corregedoria, o capitão lembrou que vem sofrendo perseguição e coação após ter feito denúncia formal por estar sofrendo homofobia dentro da corporação.

No boletim de ocorrência consta que o tenente-coronel deu voz de prisão ao subordinado porque Felipe teria saído da sala sem autorização, já o capitão afirmou, em depoimento à Corregedoria, que o superior havia o coagido a falar sobre as denúncias de homofobia diante dos colegas, outros policiais militares.

Felipe contou à Corregedoria que há vários anos é vítima de homofobia dentro da corporação e que se sentia extremamente constrangido em falar de sua vida pessoal ali, mas que a denúncia já havia sido feita junto ao Ministério Público e que ele anseia por voltar a ser anônimo, mas entende que a atitude dele pode encorajar outras vítimas. Ele reafirmou sofrer com o assunto e que não se pode revestir como brincadeira o que é crime.

Após ser ouvido pela Corregedoria, foi aberto um Inquérito Policial Militar para apurar os fatos e Felipe foi transferido para o Presídio Militar, Complexo Penal de Campo Grande e a expectativa é de que o capitão passe por audiência de custódia ainda hoje e consiga responder em liberdade. Ele é PM desde 2009 e atualmente trabalha no Comando-Geral em Campo Grande, onde ocorreu a prisão em flagrante.

Veja a íntegra da nota da PM

“A Polícia Militar do Estado de Mato Grosso do Sul informa que a prisão do referido Oficial aconteceu em decorrência da negativa do mesmo em cumprir uma ordem legal e clara, emanada por um superior hierárquico, durante ato de serviço. O fato fere o nosso regramento jurídico, conforme previsto no artigo 163, do Código Penal Militar: ‘Recusar obedecer a ordem do superior sobre assunto ou matéria de serviço, ou relativamente a dever imposto em lei, regulamento ou instrução’.”

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