Caso Annelise: PC concluí inquérito e coordenador pedagógico responderá por abandono de incapaz 

Queimaduras foram provocadas durante uma aula de química no mês de novembro de 2021. Há época, Annelise Lopes teve 60% do corpo queimado. Atualmente, a adolescente se recupera em casa

Annelise Lopes completou 17 anos e se recupera das queimaduras em casa (Foto: Arquivo Pessoal)
Annelise Lopes completou 17 anos e se recupera das queimaduras em casa (Foto: Arquivo Pessoal)

Polícia Civil concluiu inquérito que investigou as causas e circunstâncias do incêndio envolvendo a estudante Annelise Lopes Andrade, de 17 anos. A adolescente teve 60% do corpo queimado durante uma aula de química, no mês de novembro de 2021, em um colégio de Anápolis. De acordo com a PC, o coordenador pedagógico da instituição poderá responder pelo crime de abandono de incapaz, previsto no artigo 133 do Código Penal Brasileiro (CPB).

Kênia Batista Dutra Segantini, delegada titular da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA), explicou em entrevista ao Mais Anápolis que mesmo se tratando de adolescentes com mais de 16 anos, os estudantes, fora do período de aula, estavam sob a responsabilidade do coordenador daquela instituição.

“O coordenador disponibilizou uma das salas para que os alunos realizassem e gravassem o trabalho, efetivamente assumindo a responsabilidade de resguardá-los de quaisquer perigos, zelando pela integridade física deles, no ambiente escolar. Mas apuramos que ele não providenciou condições de vigilância, nem impediu ou interrompeu o experimento”, disse a delegada.

Segundo a responsável pelas investigações, o coordenador não se inteirou com a professora responsável sobre qual era o experimento e seus potenciais riscos. Com isso, os alunos ficaram sem supervisão desde o início até o fim dos experimentos químicos.

“É possível indicar que o profissional da educação incorreu no crime de abandono de incapaz. Nesse caso com resultado grave, tendo em vista as lesões corporais que a adolescente sofreu. Esse inquérito é encaminhado ao Poder Judiciário e o Ministério Público pode entender por confirmar o indiciamento ou verificar que não existem elementos suficientes e até arquivar o inquérito policial”, explicou.

A reportagem tentou contato com o coordenador, porém, não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Aluno que idealizou o experimento também poderá ser responsabilizado

De acordo com as investigações, o aluno que teve a ideia de realizar o experimento ficou responsável de avisar a professora de química sobre qual seria o experimento, de que forma seria feito e quais ingredientes seriam utilizados, para que ela viabilizasse ou não a sua realização. Porém, a PC identificou nas investigações que a professora não foi comunicada pelo aluno.

“O estudante despejou o etanol sobre o vasilhame, em quantidade excessiva, desencadeando as chamas. Encaminhamos a cópia do inquérito à Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais  (DEPAI), a fim de que seja apurada a sua conduta, ato infracional possivelmente análogo ao crime de incêndio culposo com aumento de pena por resultar em lesão corporal”, finalizou a delegada.

Annelise recebeu alta após ser internada pela segunda vez

A jovem recebeu alta após ficar internada durante 48 dias no Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. Annelise chegou a receber alta em fevereiro, mas voltou a ser internada no dia 23 do mesmo mês após piora no quadro clínico e não evolução no tratamento em casa.

Pelas redes sociais, a estudante compartilhou diversos momentos, como celebrar o aniversário e contar um pouco da rotina vivida durante o tratamento pelos stories do Instagram. Atualmente a jovem se recupera das queimaduras em casa.