“Chapa de Lúcio Flávio tem apenas 3 mulheres nos 21 cargos de diretoria”, condena Movimento Nova Ordem

Lideranças da oposição apontam continuísmo e “panelinha” na nova chapa da atual gestão

“Agora, entendi porque a conselheira federal Valentina Jungmann votou contra a exigência de 30% de mulheres nos cargos de direção da Ordem passar a vigorar já para este pleito: é que a nova chapa da qual ela faz parte chegou ao ponto de reduzir, em vez de aumentar, o número de mulheres nos cargos de direção”. O comentário foi feito pela advogada e professora Déborah Alves de Castro, logo após ter conhecimento do registro e da composição da chapa da atual gestão da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), que vai concorrer à reeleição, apesar de o atual presidente, Lúcio Flávio Siqueira de Paiva, ter garantido, na campanha de 2015, que não tentaria a reeleição porque defendia a oxigenação e a alternância de poder na OAB-GO.

Deborah faz parte do Movimento Nova Ordem, liderado pelo advogado e pré-candidato à Presidência da OAB-GO, Pedro Paulo de Medeiros. “Como sempre, o discurso da atual gestão é divorciado da prática. Pregaram alternância mas basta examinar a composição da chapa para ver que prestigiaram o continuísmo, a manutenção do status quo”, observa Deborah, destacando que a chapa registrada na última terça-feira (16) não apresentou mudanças quanto à representatividade feminina, com apenas três mulheres nos 21 cargos das diretorias da Seccional, Conselho Federal, Casag e ESA. “Mais uma vez as mulheres são preteridas na advocacia goiana. Em tempos em que se debate o espaço da mulher, aqueles que deveriam ser os guardiões de nossos direitos são os primeiros a fechar a porta para que a mulher advogada tenha vez e voz”

Também para a advogada Mônica Araújo, o discurso inflamado e convincente de Lúcio Flávio na campanha de 2015 levou a advocacia a esperar que, além de não ser encabeçada por ele mesmo, a nova chapa apresentasse mudanças significativas. “Mas, como podemos ver, isso não aconteceu. O que fica parecendo é que eles gostaram tanto do exercício do poder que se mantiveram intocáveis. Será que nenhum conselheiro seccional da gestão mereceu a benesse de contribuir na diretoria? Será que ninguém fora do grupo, que tenha ajudado a gestão, tem competência e poderia ser considerado parceiro interessante para compor a sua chapa? Falaram tanto de panelinha e acabaram formando uma”, crava.

Pedro Paulo de Medeiros, por sua vez, ainda não registrou a chapa que liderará, mas já adiantou que ela será composta com número significativo de mulheres, além de ser marcada por uma pluralidade de lideranças, vindas dos diferentes grupos que atuam na política classista. “Ainda que não tenha entrado em vigor a cota de 30% de mulheres nos cargos de direção, fiz questão de compor nossa chapa com número maior ainda de mulheres, porque, muito mais do que meras cotas, elas merecem reconhecimento e há muito tempo. Incluir a mulher não deveria ser obrigatório, mas espontâneo, parte da evolução natural e desejável da nossa sociedade”, pontua.