Homem que se apresentava como policial é investigado por golpes contra mulheres em Goiás
Segundo as vítimas, o suspeito aproveitou da relação de confiança construída com as vítimas

Um homem que se apresentava como policial civil é suspeito de aplicar golpes financeiros em Goiás após criar vínculos de confiança com as vítimas. O investigado, identificado pelas iniciais M. V. R. S., é alvo de registros policiais e ações judiciais que apontam um padrão de atuação semelhante. Três mulheres que afirmam ter sido vítimas conversaram com a reportagem do Mais Goiás, mas pediram para não serem identificadas. Ao portal, a Polícia Civil confirmou que o homem é investigado por estelionato, e que os crimes teriam sido cometidos em Anápolis e em Goiânia, entre 2024 e janeiro deste ano.
Uma das vítimas registrou um boletim de ocorrência, ao qual o Mais Goiás teve acesso. No documento, ela relata que conheceu o suspeito por meio de um aplicativo de relacionamento. Desde o início, ele dizia ser policial civil e reforçava essa versão ao longo das conversas, com relatos de supostas operações, plantões exaustivos e facilidade de acesso a armas, o que contribuiu para a construção de um vínculo de confiança.
A mulher contou que conheceu o investigado em 2018 e que o envolvimento foi breve e sem relação formal, mas o contato se manteve ao longo dos anos, por meio das redes sociais. Em uma das conversas, o homem afirmou que estaria no Paraguai visitando a irmã, que, segundo ele, seria estudante de Medicina no país. Na ocasião, ofereceu-se para trazer produtos do exterior, desde que a vítima realizasse uma transferência antecipada.
Acreditando na proposta, a mulher realizou um pagamento via Pix no valor de R$ 1.200, no dia 8 de janeiro. Após receber o dinheiro, o suspeito não entregou os produtos, não devolveu o valor e bloqueou a vítima em todas as redes sociais e aplicativos de mensagens.
De acordo com o registro policial, posteriormente, o investigado chegou a retomar o contato em determinado momento, enviando mensagens com ameaças graves, com menções à morte, violência física e suposta posse de armas de fogo.
“Ele disse assim: ‘vou te levar para roça, lá é fácil te matar, tem umas 17 armas'”, contou uma das mulheres. Ainda segundo ela, o homem tem uma filha, com quem sempre postava foto nas redes sociais.

Suposta compra de passagens
Em um segundo caso, a vítima relata que confiou no homem por manter com ele uma relação de amizade próxima. Ela conta que já havia comprado a passagem de ida para Rondônia, mas enfrentou dificuldades para adquirir o bilhete de volta devido ao alto custo, que variava entre R$ 4 mil e R$ 5 mil. Foi nesse contexto que o suspeito se ofereceu para ajudar, afirmando que poderia emitir a passagem por meio de milhas aéreas. “Como ele era meu amigo, eu acabei confiando. Ele disse que tinha milhas e que eu pagaria só a diferença”, contou.
De acordo com o relato, a vítima transferiu o valor de R$ 1.700 via Pix após o investigado dizer que a passagem seria enviada por e-mail. No entanto, a passagem nunca chegou. “Passou um dia, a passagem não chegou. Ele falava: ‘calma, vai chegar’, dizia que ia perguntar para outra pessoa… sempre enrolando”, afirmou. Após dois dias sem retorno, o homem passou a alegar que houve overbooking (excesso de reservas) e que, por se tratar de milhas, não havia conseguido concluir a emissão.
Diante da situação, a mulher pediu a devolução do dinheiro para comprar outra passagem e retornar a Goiânia, mas passou a receber novas desculpas. Segundo ela, o suspeito alegava problemas bancários e chegou a afirmar que era policial e estava em missão, o que o impediria de atender ligações. “Todo dia era uma desculpa diferente. Eu ligava, cobrava, e ele sempre dizia que não podia resolver naquele momento”, relatou.
O contato foi interrompido definitivamente quando o investigado deixou de responder às mensagens e bloqueou a vítima. Somente depois, ela afirma ter descoberto que não era a única mulher envolvida em situações semelhantes. “Depois eu descobri que tem muito mais mulheres que se envolveram com ele amorosamente e passaram por situações parecidas”, disse. O caso já dura cerca de um ano e é acompanhado por uma advogada.
Vítima relembra conversas com o suspeito
Ainda conforme uma das vítimas, após a situação que resultou em prejuízo financeiro, ela se deu conta de “sinais” que passaram despercebidos em conversas antigas. Segundo a mulher, o homem costumava oferecer viagens, venda de veículos, aparelhos eletrônicos e produtos importados, sempre condicionadas ao pagamento antecipado de valores ou de supostas taxas. “Em todas essas situações, não tive interesse e não realizei qualquer pagamento, razão pela qual essas tentativas não se concretizaram”, explicou.
Uma terceira mulher contou que conheceu o suspeito em 2024. Segundo ela, o investigado afirmava trabalhar na Polícia Civil e chegou a oferecer um carro. No entanto, alegava que o veículo precisava de alguns consertos antes de ser entregue e, com isso, passou a pedir dinheiro à mulher, com a justificativa de realizar os serviços.
Procurada pela reportagem, a Polícia Civil confirmou que há investigações em andamento envolvendo o homem. Segundo a corporação, existe um procedimento instaurado em Anápolis, além de outro registro em apuração no 13º Distrito Policial de Goiânia. Ambos os procedimentos apuram o crime de estelionato e seguem em andamento.
O Mais Goiás não localizou a defesa do homem. O espaço permanece aberto para manifestação.
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