PEDIDO DE AJUDA

Após perder irmão, homem com obesidade recorre a canetas emagrecedoras: ‘medo de morrer’

"Depois que eu perdi meu gordo, eu piorei", afirma José

O estudante de enfermagem Cesar Augusto Nascimento Siqueira morreu aos 33 anos em dezembro de 2025 em Aparecida de Goiânia. Além da saudade, seu falecimento devido a um tromboembolismo pulmonar agravado por obesidade mórbida e hipertensão arterial sistêmica deixou marcas na família e amigos. Irmão dele, José Aureliano Nascimento de Siqueira, de 37 anos, também em condição de obesidade, quer realizar um tratamento com canetas emagrecedoras em busca de saúde. “Tenho muito medo de morrer. Depois que eu perdi meu gordo, eu piorei.”

Ele, que vive em Abadia de Goiás, revela que o irmão passou por procedimentos cirúrgicos antes de falecer. José, por sua vez, teme passar por intervenções cirúrgicas. “Essa cirurgia diminuiu muito a expectativa de vida e meu irmão fez duas vezes, por isso eu tenho muito medo, não quero fazer de jeito nenhum”, afirma ao explicar a busca pelas “canetas emagrecedoras”.

Segundo ele, a medicação é uma alternativa menos invasiva para evitar o mesmo destino do irmão, uma vez que já lida com o diagnóstico de diabetes e o receio de complicações fatais. “Me consultei com uma médica na última terça-feira (14), ela viu meus exames e disse que estou com risco de infarto”, relatou.

José também tem um quadro complexo de saúde mental que inclui ansiedade, depressão e esquizofrenia. Segundo ele, sua condição psicológica interfere diretamente no controle do peso, criando um ciclo difícil de romper. “Eu tenho ansiedade e fobia social, e a ansiedade já faz engordar, o remédio da ansiedade já faz engordar também. Tem hora que eu estou comendo e nem vejo que estou comendo, dá aquela vontade e depois passa e vem a culpa.”

Ele também afirmou que o uso contínuo de antipsicóticos e estabilizadores de humor, essenciais para seu tratamento, acaba por dificultar a manutenção de dietas convencionais. José ainda tem irmãs, mas vive sozinho e subsiste por meio de um benefício governamental destinado a pessoas com deficiência mental. Como não tem recursos para o alto custo das canetas emagrecedoras, ele apela por assistência para conseguir o tratamento que considera sua maior esperança de sobrevivência. 

“Eu recebia o Aluguel Social, mas perdi o prazo de renovação, pois eu sou deficiente. Eu não tenho a cabeça muito boa, então perdi a data e não consegui renovar. Meu irmão me ajudava com isso, me ajuda a lembrar. Mas ele estava doente também. Pouco depois ele morreu.” Hoje, devido ao medo de sair de casa, ele faz alguns serviços de informática no local para tentar ampliar a renda.

Ajuda a José Aureliano

O Mais Goiás procurou a prefeitura de Abadia de Goiás para saber o que pode ser feito para ajudar José. Secretária Municipal de Bem-Estar Social e Habitação de Abadia de Goiás, Kamyla Casagrande disse que o rapaz é atendido pelo município. Ela também informou que irá verificar a situação de visitas a ele, “mas vou pedir a visita social”.

Segundo ela, o município não tem programa de aluguel social, como o Estado, mas que dá o suporte em relação à documentação e renovação. O portal também procurou a Agência Goiana de Habitação (Agehab) para tratar do Aluguel Social, que informou que irá se posicionar. Quando o fizer, essa matéria será atualizada.

José e o irmão
(Foto: Arquivo Pessoal)

Sobre Cesar

José afirma que Cesar era seu irmão mais próximo. Ele lembra que o falecido era amplamente reconhecido por sua atuação sensível na área de saúde mental, e sua partida gerou comoção em instituições como o Instituto Federal de Goiás (IFG) e o Caps Bem Me Quer, onde exercia liderança em associações de apoio aos pacientes.

Quando Cesar faleceu, o IFG informou que era estudante da Turma 2023–2026 e, “além de sua trajetória acadêmica, destacou-se por sua atuação comprometida e sensível na área de saúde mental no município de Aparecida de Goiânia, contribuindo de forma significativa para o cuidado e o acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade”. O texto deseja solidariedade aos familiares, amigos, colegas e a toda a comunidade acadêmica e que a dedicação de Cesar à enfermagem e à saúde mental “permaneça como legado de cuidado, empatia e humanidade”.

Na ocasião, muitas mensagens de carinho foram escritas na publicação do IFG. “Descanse em paz. Foi muito bom conhecer você e ouvir um pouco da sua trajetória de vida. Sua missão foi cumprida. Sentimentos a todos os familiares”, disse uma pessoa. “Obrigada por fazer parte da nossa comunidade. Sentimentos aos familiares e amigos”, escreveu outra.

Também em nota, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) – Bem Me Quer, em Aparecida de Goiânia, lamentou o falecimento de Cesar. “Hoje perdemos mais um amigo. Presidente da Associação Vida Nova, onde nunca mediu esforços para fazer o melhor para nossos pacientes do Caps”, disse uma técnica de enfermagem do local.