DENÚNCIA

Atendente sugere ‘oração’ a filho que aguardava laudo para mãe idosa em UPA de Aparecida

A idosa apresentava hematomas, edemas e sintomas compatíveis com traumatismo craniano, após sofrer uma queda

Uma servidora da UPA Geraldo Magela, no setor Flamboyant, tornou-se alvo de denúncia, após sugerir que o quadro clínico grave de uma idosa fosse resolvido por meio de “oração”. O caso ocorreu na quinta-feira (1º) por volta das 14h20, quando Adriano Rafael Passos do Prado, de 43 anos, tentava obter a impressão de um laudo de tomografia para a continuidade do atendimento médico de sua mãe, Sueli Madalena do Prado Barbosa, de 70 anos.

A idosa apresentava hematomas, edemas e sintomas compatíveis com traumatismo craniano, após sofrer uma queda, e aguardava o documento para que o médico pudesse prosseguir com a avaliação clínica. Segundo o relato do filho, Sueli havia sido atendida inicialmente pelo clínico geral da unidade que realizou a avaliação física, mas considerou o quadro inconclusivo. Diante da suspeita de lesão mais grave, o médico solicitou a realização de uma tomografia fora da UPA e orientou que a família aguardasse na recepção o acionamento da regulação, responsável por organizar a condução e os encaminhamentos externos.

Ainda conforme Adriano, ele e o irmão permaneceram por mais de uma hora na recepção aguardando informações, enquanto a mãe estava na sala de medicação. Durante esse período, afirmam que buscaram orientações, mas receberam respostas vagas, sem encaminhamento efetivo, e foram instruídos apenas a “aguardar”.

Diante da demora, Adriano afirma que procurou uma servidora e solicitou prioridade no atendimento. Após algumas tratativas, foi informado de que a paciente seria transferida para o Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia (HMAP) por ambulância. A família decidiu realizar o deslocamento por conta própria.

No HMAP, a idosa realizou a tomografia e, posteriormente, foi encaminhada para atendimento ortopédico na unidade do Buriti Sereno. Após o procedimento, a família retornou à UPA Geraldo Magela, onde o médico recebeu o exame de imagem, porém sem o laudo médico, que, segundo o hospital, seria enviado por e-mail. O médico explicou que não poderia analisar o exame sem o laudo oficial e orientou que a família solicitasse a impressão do documento junto à recepção da IH.

Foi nesse momento que, segundo o acompanhante, os problemas se agravaram. As recepcionistas informaram que não era atribuição delas verificar e-mails e orientaram novamente que ele procurasse a funcionária da IH, que não se encontrava no local. A família aguardou por mais de uma hora, segundo o filho da idosa. Nesse intervalo, a paciente já não recebia medicação, e passou a relatar náuseas, sede, vontade de ir ao banheiro e mal-estar, o que aumentou a preocupação dos familiares.

“Oração salva qualquer um”

Ao questionar a demora e alertar sobre o estado de saúde da mãe, Adriano relata que uma das atendentes respondeu de forma ríspida, afirmando que ele deveria “respeitar o trabalho dos outros” e apenas aguardar. Ele então perguntou até quando teria que esperar, foi quando a funcionária teria afirmado que “se ele não quisesse esperar, que orasse, oração salva qualquer um”.

Inconformado, Adriano questionou se a servidora estaria debochando da situação de uma idosa de 70 anos. Ainda segundo o relato, a funcionária respondeu que, se ele não quisesse orar, ela iria orar pela paciente, iniciando uma oração em tom irônico. O acompanhante então passou a gravar a situação com o celular. Ao perceber a gravação, a servidora interrompeu a fala, afirmou ser advogada e ameaçou processá-lo.

Ao Mais Goiás, um agente da Guarda Municipal informou que a equipe foi acionada após uma discussão entre funcionário e acompanhante na UPA. Segundo ele, o filho da paciente relatou que a mãe havia sofrido uma queda, apresentava suspeita de sangramento na cabeça e aguardava há cerca de 30 a 40 minutos a liberação da regulação para transferência, já que a unidade não dispunha de suporte avançado.

Durante a abordagem, o acompanhante apresentou um vídeo em que a funcionária teria se dirigido a ele de forma desrespeitosa, afirmando que o problema de saúde da mãe poderia ser resolvido por meio de oração. Os agentes tentaram intermediar a situação, ouviram a versão do acompanhante, mas a funcionária se recusou a se manifestar, alegando conhecer seus direitos. Foi constatado que a paciente se encontrava em estado debilitado, com diversos ferimentos decorrentes da queda.

Servidora afastada

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia informou que, assim que tomou conhecimento da denúncia, adotou imediatamente as providências cabíveis. A pasta afirmou que a paciente foi devidamente atendida, apesar do ocorrido, e que foi determinada a apuração imediata dos fatos.

A servidora envolvida foi identificada, afastada preventivamente da função de atendimento ao público e responderá a processo administrativo disciplinar até a conclusão da investigação. A Secretaria também informou que as circunstâncias relacionadas ao funcionamento do guichê de regulação e ao atendimento telefônico citado na denúncia serão analisadas durante a apuração.

A gestão municipal ressaltou que qualquer atitude de desrespeito ao usuário não condiz com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e reafirmou o compromisso com um atendimento humanizado, ético e respeitoso em toda a rede pública. A Secretaria destacou ainda que situações dessa natureza não serão toleradas.

Denúncias, manifestações e sugestões podem ser encaminhadas à Ouvidoria da Saúde pelo telefone (62) 3545-9416, pelo telefone 136, pelo e-mail ouvidoriadasaudeaparecida@gmail.com ou pelas redes sociais oficiais da Prefeitura.