‘Barbie do crime’: advogado considera prisão um exagero
Bruna Cristine de Menezes, conhecida como Barbie do crime, foi presa no dia 30 de janeiro sob acusação de estelionato

O advogado de Bruna Cristine de Menezes de Castro, conhecida como ‘Barbie do crime’, considera que a detenção dela no dia 30 de janeiro de 2026 foi uma medida desproporcional se levado em conta o delito que motivou o mandado de prisão: estelionato.
“Entendemos que o estelionato não justifica uma prisão preventiva. Que se trata, no fundo, de um desentendimento de natureza civil, e não penal”, afirma o advogado André Cardoso, que trabalha na defesa de Bruna. “Ela tem endereço certo. Tanto é que foi presa em casa, onde estava com os três filhos que tem”.
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O processo que resultou no mandado de prisão diz respeito a um golpe que teria sido aplicado pela plataforma OLX. Uma vítima viu o anúncio da venda de uma geladeira Brastemp por R$ 3,5 mil e entrou em contato com Bruna para fazer negócio. Bruna teria então solicitado o pagamento de um sinal via pix, no valor de R$ 100, que foi devidamente transferido. Em seguida, a vítima foi ao endereço informado por Bruna e pagou mais R$ 3,4 mil. Ficou acertado que a geladeira seria retirada no dia 4 de novembro de 2021. Contudo, ao enviar o transporte para pegá-la, a vítima foi informada que Bruna já havia se mudado do imóvel, levando o eletrodoméstico e cessando contato com ela.

“Ela inclusive já buscou reparar quaisquer prejuízos alegados, depositando em juízo os valores discutidos”, afirma o advogado.
A “Barbie do crime” passou por audiência de custódia e o juiz entendeu a prisão dela havia sido proporcional ao delito praticado e conduzida nos limites da legalidade. O advogado contesta: “os juízes entendem – equivocadamente na minha visão – que não podem desconstituir prisões determinadas por outros juízes de ‘mesma hierarquia’. Então, na prática, audiências de custódia acabam avaliando apenas prisões em flagrante e não em decorrência de cumprimento de mandados”.
Mais de 100 crimes
Bruna é acusada de aplicar golpes de estelionato desde 2011. Ela já teria feito mais de 100 vítimas em Goiás, Rio de Janeiro e Distrito Federal, conforme processos movidos contra a investigada ao qual o Mais Goiás teve acesso. A mulher foi presa pela Polícia Militar (PM) na última sexta-feira, 30, durante cumprimento de mandado de prisão, em Goiânia.
Falso câncer
Um dos primeiros registros criminais de Bruna, de 36 anos, remete há 15 anos atrás. Entre 2011 e 2012, Bruna teria obtido vantagens ilícitas contra um homem ao qual mantinha um relacionamento amoroso. Na época, ela teria alegado que enfrentava um câncer no útero com metástase no pâncreas, tendo êxito ao conseguir embolsar mais de R$ 15 mil da vítima.
Produtos importados
Posteriormente, em 2015, a “Barbie do Crime” iniciou uma suposta trajetória de golpes pela internet até ser presa e condenada por aplicar golpes em mais de 100 pessoas com anúncios de produtos importados nas redes sociais. Ela chegou a ser denunciada 11 vezes pelo Ministério Público (MP) por estelionato, tendo sido condenada pela Justiça a um ano e três meses de reclusão, além de 12 dias multa.
No entanto, foi beneficiada com a conversão da pena em serviços à comunidade e prestação pecuniária. O caso acabou sendo arquivado. Segundo a Polícia Civil (PC) informou à época, a então jovem mantinha perfis nas redes sociais de venda de produtos importados e aplicava golpes em clientes de Goiás e outros estados.
Vendeu celular, mas não entregou
Segundo a investigação da polícia, Bruna criava perfis com nomes falsos nas redes sociais para vender produtos como celulares, maquiagens e perfumes. No primeiro golpe, Bruna teria recebido R$ 3,1 mil pela venda de um celular, mas nunca o entregou. Já a segunda vítima da modelo pagou R$ 700 como forma de entrada no mesmo produto, que também não foi entregue.