Bebê com malformação rara que ‘esmagava’ traqueia é extubada após cirurgia complexa em Goiânia
Mãe relata luta por diagnóstico de malformação rara da filha

O diagnóstico de uma malformação rara que esmagava a traqueia de Rebeca, uma bebê de três meses, filha de Vilma Santos de Oliveira e Tiago Oliveira Lobo de Carvalho, levou cerca de 60 dias para ser definido. Na última semana, a neném passou por cirurgia em Goiânia e nesta quinta-feira (12) foi extubada.
Segundo a mãe, o estridor expiratório apresentado pela bebê desde o nascimento foi minimizado por profissionais de saúde em Rio Verde, que chegaram a realizar uma frenotomia (corte na língua) na criança quando a queixa era de insuficiência respiratória ao mamar. “Ninguém ajudou. Pelo contrário, diziam ser normal.”
Apenas em Goiânia o diagnóstico foi estabelecido. Os exames de imagem revelaram um “sling” de artéria pulmonar, malformação rara em que o vaso sanguíneo envolve e comprime a parte inferior da traqueia. A condição obstrui a passagem de ar.
Ao Mais Goiás, a mãe, que é corretora de imóveis, informou que a filha foi submetida a uma cirurgia de três horas com circulação extracorpórea (CEC) para a descompressão da artéria e reconstrução traqueal. O procedimento aconteceu em 5 de março. Ela ainda está em estado grave, se recuperando do procedimento de alta complexidade.
Do nascimento ao pós-operatório
Vilma revela que percebeu que a filha tinha um problema desde o nascimento, ainda na UTI. “Mas como ela fez cirurgia no 1º dia do nascimento para por uma colostomia, os médicos achavam que o estridor era decorrente de um dia de entubação”, detalhou.
Questionada sobre as expectativas, a corretora disse que já no diagnóstico a expectativa não era positiva. “Era risco de óbito tanto no momento da CEC, como depois, no pós-operatório. E ela ficou 3 horas em CEC, o que já é extrapolado para um bebê”, relatou e emendou: “Hoje ela foi extubada e já respira com máscara de VNI [Ventilação Não Invasiva], está se adaptando.” No momento, contudo, ainda não há previsão de alta.
Ela também revela que, desde a cirurgia, a bebê teve intercorrências já esperadas, mas todas foram resolvidas. “Hoje fizeram uma broncoscopia para averiguar os pontos e por dentro da traqueia, e verificar também a artéria do coração, que foi comprometida. O resultado foi surpreendente. A traqueia dela agora foi reconstruída. Os vasos pulmonares retornaram para seus lugares”, comemorou a mãe.
Segundo ela, a equipe médica viu o brônquio esquerdo achatado. Contudo, informou que isso se resolve, possivelmente, com o tempo. “O processo é lento e ainda tem chance de intercorrências severas”, se acautela. “Lembrando que sempre que um bebê tem uma malformação, normalmente ele vem com outras.”
Médica responsável
Médica responsável pelo caso, Melissa Avelino explica que o estridor é um sintoma de obstrução laríngea ou traqueal e requer investigação imediata. Ela afirma que a conclusão médica sobre a criança ocorreu de forma tardia.
“Pela manhã fizemos uma broncoscopia para avaliar a cirurgia da traqueia e tentar manter ela extubada (respirando sozinha).” Segundo ela, por ser um caso “super delicado e uma cirurgia super complexa”, foi necessária uma equipe de vias aéreas pediátricas muito experiente. “Na cirurgia entrou um cirurgião cardíaco, uma cirurgiã torácica, eu, que sou otorrino pediatra e um anestesista experiente. O pós-operatório também extremamente delicado.”
Enquanto Rebeca permanece em recuperação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Criança, enfrentando intercorrências como paradas cardiorrespiratórias, os detalhes do procedimento e da identificação da patologia serão apresentados pela equipe médica em um congresso em Boston, nos Estados Unidos. O objetivo é ampliar o conhecimento técnico sobre a patologia.
O Mais Goiás procurou o município de Rio Verde para comentar o caso. Esta matéria poderá ser atualizada.