Pedido de ajuda

“A gente vive na expectativa”: bebê de 4 meses luta por cirurgia cardíaca urgente em Goiânia

Com cardiopatia congênita grave, bebê aguarda vaga em centro especializado de São Paulo. Médicos alertam para alto risco sem suporte avançado

A família do bebê Enrico dos Santos Silva, de apenas quatro meses e 21 dias, acionou o Ministério Público para tentar garantir, com urgência, a transferência da criança para o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo. Internado desde o nascimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hugol, Enrico precisa passar pela próxima etapa de um tratamento cirúrgico complexo urgente que não pode ser realizado na unidade atual.

Enrico nasceu com Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo, uma cardiopatia congênita grave em que o lado esquerdo do coração, responsável por bombear o sangue para todo o corpo, não se desenvolve corretamente e que exige várias cirurgias especializadas. Ele já passou pela primeira etapa do tratamento, com uma cirurgia de peito aberto realizada no dia 3 de setembro de 2025, além de outro procedimento complementar no dia 10 do mesmo mês.

“Descobri a cardiopatia dele na gravidez, fiz o pré-natal no Hospital Estadual da Mulher, onde ganhei ele. Logo em seguida, ele já veio para o Hugol pra fazer os primeiros procedimentos e desde o nascimento estamos aqui. A gente vive na expectativa todos os dias”, diz Pollyane Morgane, mãe de Enrico.

Bebê está em altíssimo risco

De acordo com o relatório médico, o bebê está estável no momento, respirando sozinho e sem uso de medicamentos para manter a pressão, mas o quadro é considerado de altíssimo risco. Os médicos alertam que a próxima cirurgia só pode ser feita com segurança em um hospital que tenha suporte avançado com o uso de Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO), equipamento que funciona como um coração artificial e não existe no HUGOL.

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Enrico dos Santos Silva, de apenas quatro meses e 21 dias, nasceu com Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo (Foto: Arquivo Pessoal/Pollyane Morgane)

Pollyane afirma que a equipe médica em Goiânia tem feito tudo o que é possível, mas é necessário a transferência para uma nova cirurgia. Segundo ela, o Instituto Dante Pazzanese informou que não há vaga disponível, o que aumentou a angústia da família.

“Têm sido dias difíceis. Fico apreensiva e me pergunto todos os dias se vamos conseguir. Já vi muitos bebês partirem por não resistirem, e sempre penso no meu”, desabafa a mãe.

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Família passa por dificuldades financeiras

Além da preocupação com a saúde do bebê, a família enfrenta dificuldades financeiras. A mãe está desempregada para acompanhar o filho no hospital, enquanto o pai trabalha e cuida da outra filha do casal, de 5 anos. Sem previsão de alta, a família criou uma vaquinha para ajudar com os custos enquanto aguardam a transferência. As doações podem ser realizadas direto para a mãe pelo PIX: 133.888.804-84.

O Mais Goiás procurou o Ministério Público em busca de informações atualizadas sobre o andamento da solicitação, mas não recebeu resposta até o fechamento desta reportagem. O Portal também procurou a Secretaria de Estado da Saúde, que afirma fornecer todo o acompanhamento médico necessário até que a vaga seja disponibilizada.

“O paciente está internado em unidade especializada em cardiopediatria no Hugol, unidade da rede do Sistema Único de Saúde n Estado. Como o procedimento exigido não pode ser realizado em Goiás, a SES-GO busca esse atendimento em unidades de referência em outros Estados, e aguarda posicionamento sobre a cessão da vaga para a transferência via TFD, no fluxo de urgência. Enquanto aguarda a transferência, o paciente recebe todo acompanhamento médico e multiprofissional no Hugol, com atualização constante do quadro clínico e encaminhamento de documentos solicitados pelas regulações dos Estados e unidades de referência”, diz a pasta.

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