Cães-bombeiros que atuaram nas tragédias de RJ e RS morrem em Goiás
Afra estava aposentada desde 2024, enquanto Revolta foi afastado para tratar um câncer

As forças de segurança pública de Goiás perderam dois membros na última quarta-feira, 4, que fizeram história em grandes operações Estado afora. Trata-se dos cães-bombeiros Afra e Revolta, ambos da raça pastor belga. Conforme a corporação, Afra estava aposentada desde 2024, enquanto Revolta foi afastado no final de 2025 para tratar um linfoma (câncer).
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A perda da dupla gerou comoção e homenagens entre os integrantes do Corpo de Bombeiros devido ao empenhos dos animais em grandes casos de repercussão. Afra, que era lotada na base de Anápolis, por exemplo, foi uma das protagonistas nas buscas por sobreviventes e desaparecidos na tragédia de Petrópolis, em 2022, que deixou mais de 240 mortos após enchentes e deslizamentos na cidade carioca.
Dois anos depois, em 2024, Afra voltou a ganhar destaque ao ser enviada para ajudar nas buscas durante as inundações no Rio Grande do Sul, que devastaram o Estado, deixando mais de 180 mortos. A cadela também auxiliou a Polícia Civil (PC) em ocorrências consideradas sensíveis e complexas.
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Afra “aposentou o focinho” ao entrar para a reserva ainda em 2024, depois de encerrar a participação no Rio Grande do Sul. Posteriormente, em maio do mesmo ano, teve a aposentadoria oficializada e passou os últimos dias sob a tutela do condutor, o sargento Guilherme Scaramuzzi.
“Hoje a minha filhota partiu. Companheira, amiga, canga das missões por sete anos, ela me ajudou na minha recuperação enquanto estive doente, cumpriu com louvor seus atributos de serviço e, principalmente, seu espaço nos corações de muitas pessoas. A Afra marcou muito nossas vidas e a saudade é grande. Combateu o bom combate e guardou a fé. Agradeço a todos que participaram desse convívio com ela”, postou nas redes sociais o bombeiro.
Mesmo aposentada, Afra ainda visitava o canil, interagia com outros cães e auxiliava nos passeios com os filhotes. Ao longo da carreira, conquistou cinco certificados, incluindo busca rural, busca urbana e atuação em operações especializadas.

Cão Revolta
Já Revolta era lotado no batalhão de Luziânia, no Entorno do Distrito Federal. Ele ingressou na corporação com apenas 45 dias de vida, mas foi selecionado desde os 10 dias de nascido, de acordo com o sargento Kleber de Oliveira, que era cuidador do animal. Desde de filhote até os últimos dias de vida, Revolta reveza entre a casa do bombeiro e o quartel. Foram seis anos de serviço prestado.
Durante o período, Revolta também ganhou destaque ao participar de ocorrências complexas de busca e salvamento, principalmente em regiões de difícil acesso, como matas. Antes de ser afastado para tratar o câncer, ele teve êxito em localizar o corpo de uma pessoa desaparecida na região de Santa Rita do Araguaia, na divisa entre os Estados de Goiás e Mato Grosso.
A ação ocorreu entre os dias 14 e 16 de dezembro – a última vez em que atuou como cão bombeiro. Desde então, ele vinha tratando o linfoma na casa do sargento, com quem compartilhou os últimos minutos de vida.
“Na última ocorrência ele pegou uma doença do carrapato, que agravou os sintomas do linfoma. Quando descobrimos, ele já estava com linfoma nível 5. Foram três meses lutando junto com ele, com medicação, exames, e ele foi melhorando. Na segunda-feira demonstrou dor, foi dificultando, já não estava dando conta de andar direito. Eu escolhi ele, treinei ele, e o acompanhei até o último minuto de vida”, reforça Kleber.