Protetora de Goiânia alerta para violência contra cães comunitários: ‘quando é de todos, acaba sendo de ninguém’
Ativista explica que mesmo quando há cuidado por parte da população, a falta de tutela responsável mantém os animais expostos

Casos de agressões e maus-tratos contra cães comunitários – aqueles animais que recebem cuidados como alimentação, abrigo e, em alguns casos, atendimento veterinário da comunidade onde vivem – como o cão Orelha, morto a pauladas na Praia Brava, em Florianópolis, são mais comuns do que parecem. A protetora de animais Juliana Morais alerta que, mesmo quando há cuidado por parte da população, a ausência de adoção ou tutela responsável mantém os animais expostos a riscos e à violência.
Segundo Juliana, a situação enfrentada por cães comunitários se repete com frequência. No início deste mês, a ativista decidiu acolher Tobias, um vira-lata de cerca de um ano que apareceu ferido, traumatizado e muito magro no local de trabalho de uma conhecida, em Goiânia. Embora recebesse alimento e atenção de algumas pessoas, o cachorro passou a incomodar outros frequentadores do espaço, o que gerou comentários e o temor de que ele pudesse desaparecer.
“Tobias é dócil, carente e seguia todo mundo. Mesmo sendo cuidado, não tinha segurança nenhuma. Quando o animal é de todos, acaba não sendo de ninguém”, afirma a protetora. Diante do risco, Juliana ofereceu lar temporário até que ele seja adotado de forma responsável.
Outro caso citado por ela é o de Pretinho, também resgatado em Goiânia há alguns anos. Já idoso e em condição de vulnerabilidade, o cachorro, que vivia nas ruas, era alvo de ameaças e frequentemente tinha a água e a comida descartadas por comerciantes da região onde permanecia. Com pouca mobilidade, não tinha condições de fugir ou se defender.


Para Juliana, situações como essas mostram que a proteção comunitária, embora importante, não é suficiente para garantir a segurança dos animais. “Infelizmente, assim como existem pessoas que cuidam, também existem aquelas desprovidas de compaixão”, comenta.
Caso Orelha
O cão comunitário Orelha, também conhecido como Preto, vivia há mais de dez anos na Praia Brava e era cuidado por moradores, pescadores e comerciantes da região. No dia 15 de janeiro, o animal foi encontrado ferido após sofrer agressões e, apesar de ter sido socorrido, não resistiu.
A morte de Orelha gerou comoção, protestos e mobilização nas redes sociais. A Polícia Civil de Santa Catarina investiga o caso, que aponta adolescentes como principais suspeitos. O inquérito segue em andamento, com coleta de depoimentos e diligências, e será encaminhado ao Ministério Público após a conclusão das oitivas.
Juliana aponta a necessidade de ações concretas e leis mais rígidas. “Mais do que lamentar, é preciso agir, abrigar, adotar e denunciar. Muitos casos acabam esquecidos, enquanto animais inocentes continuam sofrendo agressões e maus-tratos nas ruas”, conclui Juliana.