RESPOSTA

Câmara de Goiânia diz ser principal interessada em esclarecer suspeita no cargo de administrador

Casa reforça que foi a "denunciante da suposta irregularidade", mas enfatiza que o conselheiro relator do TCM, Humberto Aidar, não recomendou a suspensão do certame

A Câmara Municipal de Goiânia diz ser a principal interessada no esclarecimento das alegações apresentadas no pedido de cautelar junto ao Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO) acerca das supostas irregularidades em seu concurso público para o cargo de administrador. Em nota ao Mais Goiás na noite de quarta-feira (22), a Casa reforça que foi a “denunciante da suposta irregularidade”, mas enfatiza que o conselheiro relator do TCM, Humberto Aidar, não recomendou a suspensão do certame.

Nesta semana, a Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) recomendou a suspensão imediata do concurso. A medida foi tomada por suspeitas de irregularidades envolvendo o candidato aprovado em primeiro lugar, Luã Lírio de Souza Cruz, uma vez que ele teria vínculos com a banca responsável pelo certame, realizado no último mês. Esta recomendação foi feita ao conselheiro Humberto Aidar, que vai analisar a demanda.

Conforme o Ministério Público de Goiás (MP-GO), que apura o caso, a suspeita é de possível conflito de interesses e eventual vantagem indevida. Isto porque o candidato aprovado para o cargo de administrador já atuou no Instituto Verbena, instituição ligada à Universidade Federal de Goiás (UFG) e responsável pelo concurso.

De acordo com informações apuradas, o candidato é servidor da UFG e foi cedido à Defensoria Pública da União (DPU) em janeiro de 2025, antes do início da organização do concurso. Ainda assim, registros indicam que ele participou de atividades ligadas ao instituto meses depois, inclusive dias antes da realização da prova.

O Mais Goiás tentou contato com o Instituto Verbena para uma posição sobre a recomendação. O veículo de comunicação não localizou o candidato. Caso haja interesse, o espaço segue aberto.

Concurso

O exame foi aplicado em 15 de março, com oferta de 62 vagas e salários superiores a R$ 10 mil. Cerca de 34 mil candidatos participaram do processo seletivo.

À época em que o caso foi revelado, o Instituto Verbena informou que o próprio candidato comunicou previamente um possível conflito de interesses e, por isso, foi afastado de qualquer atividade relacionada ao concurso. A banca informou ainda que os acessos dele aos sistemas foram bloqueados e uma auditoria interna não identificou participação direta na organização dessa prova específica.

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A Câmara Municipal de Goiânia, por sua vez, disse, por meio de nota, naquele momento, que encaminhou o caso ao Ministério Público e solicitou providências para apuração. Já a Universidade Federal de Goiás declarou que também vai investigar a situação e poderá adotar medidas administrativas, caso sejam confirmadas irregularidades.

Se forem comprovadas fraudes no processo, o MP pode pedir a anulação do concurso, mas, até o momento, o concurso permanece válido.

Nota da Câmara de Goiânia:

A Câmara Municipal de Goiânia foi notificada no final da tarde desta quarta-feira, dia 22 de abril de 2026, do pedido de medida cautelar, apresentada junto ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO), referente ao concurso para vaga em cadastro de reserva para o cargo de administrador.

O Poder Legislativo é cumpridor de todas as medidas e decisões do Poder Judiciário e dos Órgãos de Controle, e vai apresentar os esclarecimentos solicitados pelo conselheiro relator Humberto Aidar no prazo estabelecido.

Com o objetivo de esclarecer a população, a Câmara Municipal de Goiânia observa que, na Decisão Monocrática que trata do pedido de cautelar, o conselheiro relator NÃO recomenda a suspensão do concurso para a vaga em cadastro de reserva para o cargo de administrador, mas solicita esclarecimentos e documentos para deliberar sobre o pedido de cautelar.

A Câmara Municipal de Goiânia é a principal interessada no completo esclarecimento das alegações apresentadas no pedido de cautelar junto ao TCM-GO e também da denúncia anônima entregue ao Poder Legislativo, ao Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e ao Instituto Verbena – todas com o mesmo teor.

A Câmara de Goiânia é denunciante da suposta irregularidade, tendo levado imediatamente a queixa ao conhecimento da Promotoria e da banca realizadora do certame tão logo a recebeu, em 30 de março.”