Casal denuncia preconceito de padre em casamento: ‘Nosso amor não é uma desgraça’
O casal Damon Burmester e Dyogo Severo disse que viveu um momento de dor e…

O casal Damon Burmester e Dyogo Severo disse que viveu um momento de dor e constrangimento durante o casamento da prima de um deles, em uma igreja na comunidade São João Batista, na zona rural de Luziânia. Isso, porque na celebração que deveria tratar de união, o padre teria cometido uma fala homofóbica. O caso aconteceu no último dia 7 de março.
Segundo eles, em determinado momento, o religioso afirmou que “gays e lésbicas são as desgraças matrimoniais”. O cabeleireiro Damon e o nutricionista e maquiador Dyogo, convidados da cerimônia, ficaram em choque e indignados com a declaração. Sobretudo em um espaço que deveria ser dedicado ao acolhimento e ao amor ao próximo.
Informados, eles utilizaram as redes sociais para desabafar e reforçaram que a verdadeira “desgraça” reside na intolerância e no uso da fé para ferir pessoas. “Nosso amor não é uma desgraça. Nossa existência não é uma desgraça”, afirmaram. Para eles, o respeito não deveria ser um pedido, mas o mínimo esperado em qualquer ambiente.
O casal ressaltou que lugares de fé devem servir como instrumentos de inclusão, e nunca como palcos para a reprodução de discursos de ódio. Dyogo conversou com o Mais Goiás.
“Sentimos constrangimento, vontade de deixar o local e ficamos em choque por não acreditar que estávamos ouvindo aqueles palavrões de um sacerdote. Ficamos extremamente tristes”, desabafou ao portal.
Ele revela que já foi feita uma denúncia na cúria de Luziânia na última segunda-feira (9) junto ao bispo. O casal também registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e prestou depoimento na quarta-feira (11).
Dyogo e o parceiro são católicos e sempre frequentam a missa aos domingos. Ele conta que na paróquia que frequentam sempre são bem recebidos e acolhidos. “Sentimos o amor de Cristo nos sacerdotes.” Ele enfatiza que nunca havia sofrido esse tipo de preconceito em um tempo.
“Sentimos um enorme pesar ao ver que o representante do amor, da bondade, tenha essas atitudes e falas. Nos colocamos no lugar de vários jovens que vão à procura de acolhimento e voltam para casa pior do que chegaram”, lamentou.
Para ele, a igreja deve punir sacerdotes que não pregam o amor e a união de seus devotos, pois “Cristo jamais falaria algo assim ou jamais se direcionaria a nós daquela maneira. Temos total ciência e conhecimento da escritura sagrada e não temos a intenção de mudar o que lá está. Sabemos que o sacramento do matrimônio se deve somente ao homem com a mulher. A benção, o acolhimento já nos basta.”
Testemunha
A arquiteta Millene Ribeiro presenciou a situação. Ela afirma que, quando eles chegaram na igreja, de mãos dadas, o padre olhou. “Eles têm mais de 2 anos de relacionamento e é raro ver demonstração de afeto, como beijos em público vindo deles”, reforça que eles só estavam de mãos dadas.
Segundo a arquiteta, foi no momento da homilia que o religioso fez o comentário preconceituoso. “Disse que ‘os casais homossexuais de hoje em dia são as desgraças matrimoniais e que isso era uma patifaria’. Não satisfeito, ele repetiu mais uma vez esse comentário”, narrou.
Millene afirma que todos os convidados que estavam ali ficaram em choque e olharam para Damon e Dyogo. “ninguém da igreja quis fazer algo em relação à fala do padre por medo de prejudicar a cerimônia dos noivos, por ser um dia especial para eles. Mas a falta de respeito do padre com os convidados foi tão grande que ele nem sequer abençoou ao final da cerimônia. Apenas tirou a batina e saiu”.
O Mais Goiás procurou a Diocese de Luziânia por e-mail. Em nota, eles informaram que estão investigando o caso para tomar as medidas necessárias. “Enquanto durarem as investigações, não comentará o assunto.”
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