MUDANÇA

Caso Daiane: síndico acusado de matar corretora é transferido para Caldas Novas

Ele estava detido em Goiânia, na Delegacia Estadual de Capturas; filho dele segue preso na capital

O síndico Cléber Rosa Oliveira, de 49 anos, acusado de matar a corretora Daiane Alves, iniciou sua transferência, nesta tarde de sexta-feira (30), para Caldas Novas, local onde morava a vítima e ocorreu o crime. A informação foi divulgada pela TV Anhanguera. Ele estava detido em Goiânia, na Delegacia Estadual de Capturas (Decap), e teve a prisão mantida pela Justiça na quinta-feira (29) após audiência de custódia.

Procurada, a defesa do investigado disse que não tinha informações sobre a transferência por volta das 15h20 e não informou se ele já estava no local. Após audiência, contudo, afirmou que Cléber “respondeu a todas as indagações formuladas e segue contribuindo com as investigações”.

O Mais Goiás apurou que a transferência ocorreria para novas buscas no município. Ele não será levado para um presídio, pois a Diretoria-Geral de Polícia Penal (DGPP), responsável por esse tipo de traslado, não foi acionada. Maicon Douglas, filho de Cleber e preso pela suspeita de participar do homicídio, também teve a manutenção da prisão pela Justiça na quinta-feira. A defesa dele confirmou que ele segue na capital.

A Polícia Civil de Goiás (PCGO) foi procurada para se posicionar acerca da transferência, mas não se posicionou até o fechamento da matéria.

Sobre o caso, Daiane desapareceu em dezembro e teve o corpo encontrado na madrugada da última quarta-feira (28) em uma região de mata do município. A Polícia Civil trabalha com a tese de que a corretora Daiane Alves foi morta nas dependências do condomínio onde morava, o mesmo onde Cléber era síndico.

A investigação aponta que o corpo dela foi retirado do local em uma caminhonete. O crime teria ocorrido no subsolo do edifício, área sob controle direto do síndico preso, acusado como autor do assassinato na quarta-feira.

Embora o veículo tenha passado por uma limpeza minuciosa para apagar vestígios, assim como a cena do crime no subsolo, a linha de apuração conecta o uso do transporte à logística de descarte do cadáver. A reconstrução da dinâmica do crime indica que o subsolo foi escolhido por oferecer menor circulação de moradores e pontos com limitação de câmeras de segurança. Segundo a Polícia Civil, o local permitia controle de acesso e tempo suficiente para a remoção do corpo sem chamar atenção, especialmente após o desligamento do padrão de energia do prédio, episódio que também está sob apuração.

Peritos da Polícia Técnico-Científica realizaram exames no subsolo e no veículo utilizado, em busca de vestígios microscópicos que possam resistir à limpeza, como resíduos biológicos e fibras. A ausência de sinais visíveis, segundo os investigadores, não descarta a prática do crime no local, mas reforça a hipótese de uma tentativa deliberada de eliminação de provas.

Desaparecimento de Daiane e investigação

A corretora Daiane Alves de Souza estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025, quando foi vista pela última vez ao entrar no subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas. Na quarta-feira (28), a Polícia Civil encontrou o corpo dela em uma região de mata no município. O síndico do edifício, Cléber Rosa Oliveira, de 49 anos, e o filho dele, Maicon Douglas, foram presos.

O caso passou a ser apurado por uma força-tarefa formada pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas, o Grupo de Investigação de Desaparecidos (GID) e a Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH) pouco tempo após o desaparecimento. Durante a investigação, imagens do sistema de segurança do prédio tiveram papel central. Os registros mostram Daiane entrando no elevador e seguindo até o subsolo, local onde foi vista pela última vez. A partir desse ponto, não há imagens que indiquem que ela tenha deixado o condomínio.

Segundo as autoridades, o crime teria contado com a manipulação das câmeras para ocultar a ação. Um dia antes das prisões, a defesa de Cléber havia divulgado nota pública afirmando que ele não figurava formalmente como investigado no inquérito naquele momento. Os advogados sustentavam que o síndico vinha colaborando com as autoridades, fornecendo informações e acessos solicitados, e alegavam que eventuais conflitos com a corretora sempre teriam sido tratados por meios legais.

Sobre Maicon, ele é acusado de atuar diretamente na obstrução da Justiça e na destruição de evidências do assassinato da corretora. Segundo a Polícia Civil, ele teria, inclusive, adquirido um novo aparelho celular para auxiliar o pai na coordenação das provas e no descarte de informações que pudessem ligá-los ao desaparecimento da corretora. Ele disse às autoridades que a troca ocorreu apenas para gerenciar um aplicativo do condomínio.

Saiba mais detalhes sobre o caso Daiane Alves:

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