CMTC diz que não conseguiu identificar motorista que ameaçou causar acidente em Goiânia
Segundo relatos, a fala do motorista ocorreu durante uma discussão iniciada por reclamações sobre a velocidade do ônibus

A Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) informou que não conseguiu identificar o motorista da linha 113 acusado de ameaçar provocar um acidente e causar a morte de passageiros durante uma viagem realizada no dia 6 de janeiro, em Goiânia. O caso foi levado ao conhecimento do órgão por meio de um requerimento do vereador Geverson Abel (Republicanos), presidente da Comissão de Fiscalização do Transporte Público da Câmara Municipal. Em resposta oficial, a CMTC afirmou que não foi possível avançar na apuração do caso por falta de informações essenciais.
Segundo o parlamentar, relatos recebidos por seu gabinete apontam que o condutor, que fazia o itinerário entre Goianira e o Setor Novo Mundo, teria adotado uma conduta considerada extremamente grave e incompatível com a função, colocando em risco a integridade física e a vida dos usuários do transporte coletivo.
Diante da denúncia, Geverson Abel solicitou providências urgentes à CMTC, incluindo a abertura de procedimento interno de apuração, a identificação do motorista envolvido, a análise de seu histórico funcional e, se necessário, o afastamento preventivo do profissional. O vereador também pediu um levantamento sobre as condições de trabalho dos motoristas, como jornada laboral, escalas, intervalos de descanso e suporte emocional, além de informações sobre a oferta de acompanhamento psicológico aos condutores.
A reportagem do Mais Goiás ouviu um passageiro que estava no ônibus no momento da confusão. De acordo com ele, o desentendimento teve início após uma passageira reclamar da velocidade do veículo, que trafegava de forma considerada lenta.
“O ônibus estava a algo entre 10 e 15 km/h. Não sei se era por causa do peso ou do horário que ele precisava cumprir. A senhora reclamou, disse ‘bora, motorista’, e ele respondeu que, se ela quisesse chegar mais cedo, acordasse mais cedo e pegasse outro ônibus. A partir daí começou o bate-boca”, relatou.
- Relembre o caso: Vídeo: Motorista do transporte coletivo ameaça provocar acidente “pra matar 50 passageiros”, em Goiânia
Falta de informações consideradas essenciais
Um ofício assinado pelo presidente da companhia, Murilo Guimarães Ulhôa, foi encaminhado à Câmara Municipal na quarta-feira (14). De acordo com a Diretoria de Fiscalização, não foram informados o número do veículo nem o horário exato do ocorrido, o que inviabilizou a identificação do motorista e da concessionária responsável pela operação no momento do fato.
A CMTC explicou ainda que a linha 113 realiza 118 viagens diárias de segunda a sexta-feira, entre 4h10 e 0h37, e tem a operação dividida entre três concessionárias: Metrobus Transporte Coletivo S/A, Rápido Araguaia Ltda. e Viação Reunidas S/A. Segundo o órgão, sem dados mais precisos, não foi possível localizar o profissional citado na denúncia.
Outro ponto destacado pela companhia é que não houve registro formal da ocorrência nos canais da Ouvidoria da CMTC, o que, segundo o órgão, também dificultou a apuração dos fatos.
No documento, a CMTC ressaltou que todas as concessionárias do sistema realizam treinamentos periódicos por meio do SEST SENAT, incluindo módulos voltados ao atendimento ao cliente, além de capacitações internas. A companhia informou ainda que as empresas operadoras disponibilizam acompanhamento psicológico aos seus colaboradores.
Por fim, a CMTC lamentou o episódio relatado e afirmou que, em conjunto com as concessionárias, atua de forma contínua para garantir um atendimento seguro, digno e respeitoso à população usuária do transporte coletivo, colocando-se à disposição da Comissão de Fiscalização para novos esclarecimentos.
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