ARTISTA

Conheça o artesão goiano que produziu luvas dadas aos melhores goleiros da Copa do Brasil

Cristiano Borges é responsável por fabricas as luvas desde 2023. Trabalho exige esforço e cuidado com detalhes

As últimas três finais da Copa do Brasil tiveram algo em comum: uma “mão” goiana. Ou melhor dizendo, uma luva aparecidense. Acontece que as já tradicionais luvas de borracha presenteadas aos melhores goleiros da competição foram confeccionadas pelo artesão goiano Cristiano Borges, de 45 anos. 

LEIA TAMBÉM

O troféu “Goleiro Continental” foi entregue aos arqueiros Rafael (São Paulo), Agustín Rossi (Flamengo) e Hugo Souza (Corinthians) em 2023, 2024 e 2025, respectivamente. Os três se consagraram campeões da competição nos anos em que foram premiados. 

“Na primeira tive quatro meses de prazo. Na segunda vez foi menos, faltando mais ou menos uns 50 dias para acabar o campeonato. Já nesta terceira foram 10 dias de trabalho. Como é pequena e com muitos detalhes, não foi fácil”, afirma Cristiano. 

As luvas têm, em média, 28 centímetros. O tamanho é um dos maiores desafios do artesão, visto que exige esforço e cuidado com detalhes. Para se ter uma ideia da dificuldade, na primeira vez que fez realizou o trabalho, Cristiano precisou fazer sete protótipos para entregar o resultado final.

Na penúltima fabricação, o profissional produziu quatro exemplares, mas apenas uma foi aproveitada pela empresa responsável pela encomenda. As luvas foram confeccionadas em espaço de 12/4 metros, que Cristiano reservou em casa para trabalhar.

“Essa terceira vez foi mais fácil porque já tinha deixado um modelo guardado. No entanto, das três, essa última foi a melhor que já fiz. Tive que fazê-la por etapas. Eles me pediram a evolução. Conforme fui fazendo, eles me pediram fotos para ver se aprovariam”, explica. 

Goleiros Hugo Souza (Corinthians), Rafael (São Paulo) e Agustín Rossi (Flamengo) – (Foto: reprodução/redes sociais)

Trabalho detalhado 

Se engana, porém, quem acha que o processo é fácil. O artesão diz que o prêmio de borracha é feito em três etapas: o molde da luva com ligação (borracha crua usada na recapagem de pneus), o preenchimento do objeto com pó de pneu e, por último, o revestimento da obra com pneus. 

Vale ressaltar que, em todos os processos, foi necessário o cozimento do objeto no autoclave (máquina usada para deixar a borracha rígida). Embora experiente, Cristiano diz que “quebrou a cabeça” nas primeiras tentativas, principalmente por ser algo que iria participar de um dos maiores eventos futebolísticos do Brasil.

“Eles costumam entrar em contato por agora faltando alguns meses para a final da copa. É um trabalho gratificante, um reconhecimento muito bom. Acredito que o meu trabalho é visto por todo o Brasil”, reforça.

Protótipo da luva – (Foto: arquivo pessoal)

Surpresa 

Há mais de 20 anos na área de artesanato, Cristino conta que ficou surpreso quando foi convidado pela primeira vez e que aguarda ser acionado novamente. Segundo ele, ter a peça exposta de forma nacional e até internacional é uma realização de vida, de dever cumprido. 

“Não consigo descrever. Se você faz um trabalho bem feito da primeira vez, a pessoa retorna de novo, quer dizer que o seu trabalho foi bem aceito. Me sinto privilegiado”, concluiu. 

Artesão goiano Cristiano Borges com primeira luva confeccionada – (Foto: arquivo pessoal)