Conheça o militar goiano que participou da caçada a Bin Laden pelo Exército dos EUA
Antônio Caiado foi o primeiro brasileiro a receber uma medalha do país norte-americano pelo treinamento de liderança mais avançado do exército estadunidense

Nascido em Mossâmedes, mas criado em Sanclerlândia, o militar goiano Antônio Caiado, de 43 anos, foi o primeiro brasileiro a receber uma medalha dos Estados Unidos (EUA) pelo treinamento de liderança mais avançado do exército americano, conferido pela Academia de Sargento Major, no Texas. Hoje 1º sargento da reserva, ele, que participou da guerra no Afeganistão e da caçada ao terrorista Osama Bin Laden, faz parte de uma companhia que deve treinar novos recrutas da força armada estrangeira.
No entanto, antes de alcançar o prestígio, Antônio precisou trilhar um caminho longo. Tudo começou em 2005, quando deixou Goiânia para continuar os estudos, logo depois de se formar em Ciências da Computação pela Universidade Paulista (Unip).
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Cidadania americana
Depois de quatro anos vivendo nos EUA, Antônio conseguiu a tão almejada cidadania americana. Então, em 2009, decidiu se alistar no exército, o US Army, devido à vontade de seguir carreira militar. Um ano depois, já em 2010, foi designado para a primeira guerra no Afeganistão.
“Cheguei na capital do Afeganistão, Cabul, em julho de 2010. Fiz parte do primeiro time de reconstrução do país. Cerca de mil tropas foram distribuídas para cada uma das 16 províncias, com a função de identificar as necessidades de cada vila e investir determinado valor”, relembra.
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Guerra no Afeganistão
No país afegão, o militar goiano ficou entre 2010 e 2011. A maior parte da missão foi em Cabul, fazendo patrulhas pelas ruas em caminhadas de cinco a dez quilômetros por dia, visitando líderes religiosos e representantes tribais.
Conforme lembra Antônio, durante a missão, o Afeganistão era considerado um dos países mais perigosos do mundo, devido ao regime imposto pelo Talibã. Após ser destituído durante a guerra, o movimento fundamentalista e nacionalista islâmico voltou ao poder cerca de uma década depois, com a retirada das forças norte-americanas, em agosto de 2021.
Caçada a Bin Laden
O militar goiano também integrou missões que resultaram na localização e eliminação do líder da Al Qaeda, o Osama Bin Laden. Ele foi detectado em 2011, 10 anos após assumir autoria pelos atentados de 11 de setembro, que culminaram na destruição do World Trade Center, em Nova Iorque.
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O ataque terrorista ensejou a ocupação do Afeganistão, ação militar que recebeu contribuição de Antônio. O militar reforça, no entanto, que não pode comentar o assunto. “Não posso falar de coisas específicas pela minha própria segurança. É muito difícil nos dias de hoje”.

Ação contra o Talibã
“Na época, não tínhamos o controle das províncias, elas estavam sob domínio do Talibã. À medida que conquistamos os territórios, eles se retiraram para a província de Kandahar, na fronteira com o Paquistão, e a situação foi se acalmando”, conta.
Especializado em armas de destruição em massa, uma dos maiores desafios enfrentados na época, conforme Antônio, era a resistência dos moradores e a variedade de línguas faladas no território. De acordo com ele, há mais de 40 línguas no território e uma grande variedade de tribos.

“Proteção de famílias”
Segundo o 1º sargento, os talibãs tinham aceitação do público mais velho devido à proibição do “bacha bazi”, prática conhecida por converter meninos em escravos sexuais, mas que foi vetada pelo regime entre 1996 e 2001. Antônio explica que o ritual é comum em zonas rurais do sul e do leste do país, assim como nas regiões tayikas do norte.
“O Talibã é um grupo horrível em quase todos os aspectos, mas quando se fala em proteção das famílias, o Talibã tem aceitação muito grande na população. Esse grupo nasceu para proteger pessoas comuns de abusos sexuais”, conta.
Retorno ao Oriente Médio
Antônio voltou ao Afeganistão em 2020, onde permaneceu até 2021, a fim de dar apoio às Forças Armadas americanas por meio do grupo conhecido como Proteção da Força (PF). Os americanos desocuparam o país em agosto de 2021, encerrando uma guerra de 20 anos – a mais longa da história do país.
“A Proteção da Força compreende medidas integradas e proativas, concebidas para salvaguardar o pessoal militar, civis, famílias, instalações e equipamentos contra ameaças ou perigos, a fim de preservar a eficácia operacional. Envolve o combate ao terrorismo, a segurança física e a segurança operacional para minimizar vulnerabilidades”, explica.

Ingresso no exército
Antônio, que é graduado em Ciências da Computação e especializado em armas de destruição em massa, além de ser mestre e doutorando na área de tecnologia, diz que o ingresso no exército é voluntário. No entanto, o candidato precisa atender uma série de requisitos, além de estar em boa forma.
Para estar apto ao cargo de combatente, o candidato é submetido a provas físicas e também a exames psicológicos. Para se candidatar precisa atingir a maioridade, além de não ter registros criminais e ter idade máxima de 42 anos.
“Qualquer pessoa pode participar. No entanto, em qualquer parte do exército não tem flexibilidade com drogas e anabolizantes. Se for pego usando, a pessoa é desconstituída do cargo”, concluiu.