Defesa diz que síndico não é investigado e colabora com investigação do desaparecimento da corretora de Caldas Novas
Advogados argumentam que conflitos entre síndico e corretora foram tratados na justiça e pede cautela para evitar especulações

A defesa de Cleber Rosa de Oliveira, síndico do Condomínio Amethist Tower, afirmou que ele não é investigado no desaparecimento da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, ocorrido em dezembro de 2025, em Caldas Novas, na região Sul de Goiás. Em nota, os advogados disseram que ele tem colaborado com as investigações e está à disposição para ajudar no esclarecimento do caso, que hoje é apurado pela Polícia Civil como possível homicídio.
Segundo os advogados Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva e Daniel Gonçalves Santos Lima, o síndico forneceu informações e acessos solicitados pela polícia desde o início das apurações. A defesa reforça que Cleber não aparece como suspeito e que também tem interesse que os fatos sejam esclarecidos quanto antes.
A nota explica ainda que os desentendimentos entre Cleber e Daiane sempre foram tratados na Justiça.
“Em relação ao histórico de conflitos entre as partes, esclarece-se que as divergências existentes sempre foram tratadas pelo Sr. Cleber dentro da estrita legalidade e da via institucional adequada, qual seja, o Poder Judiciário. Nesse sentido, em 19 de janeiro de 2026, o Ministério Público ofereceu denúncia em desfavor da Sra. Daiane pela prática do crime de violação de domicílio, episódio no qual o Sr. Cléber figurou como vítima. Tal circunstância evidencia que o referido síndico sempre buscou o amparo das autoridades competentes para a resolução de conflitos, distanciando-se de qualquer pessoalidade”, esclarece.
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Sobre a denúncia feita pelo Ministério Público contra o síndico por perseguição, a defesa afirma que Cleber apenas cumpriu suas funções como síndico, com o objetivo de manter a organização e as regras do condomínio. Os advogados dizem que a acusação não apresenta provas materiais e se baseia apenas no relato de Daiane. Eles afirmam que a inocência de Cleber será comprovada durante o andamento do processo.
Ao final da nota, a defesa alerta para que não sejam feitas acusações ou especulações sem provas, que possam prejudicar a imagem e a vida pessoal do síndico.
Versão da defesa da Daiane
O advogado da família de Daiane Alves Souza, Plínio César Cunha Mendonça, nega que ela tenha invadido o condomínio. Segundo ele, Daiane entrou na recepção após ver o síndico discutindo e, supostamente, agredindo seu padrasto, um idoso de 79 anos.
“Diante do histórico de agressividade do síndico e do fundado receio de uma agressão física contra o idoso, Daiane adentrou ao local exclusivamente para garantir a segurança e a integridade física de seu familiar. Tal ato encontra-se amparado pelo instituto da legítima defesa de terceiro, conforme previsto no Art. 25 do Código Penal. A defesa reafirma que a verdade prevalecerá com a apresentação das provas judiciais e que não admitirá tentativas de criminalizar uma ação legítima de proteção a um idoso”, afirma a nota.
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Caso segue sob investigação
Daiane desapareceu na noite de 17 de dezembro de 2025, depois de descer ao subsolo do prédio para verificar um corte de energia em seu apartamento. Desde então, não há imagens que mostrem a corretora saindo do condomínio pela portaria ou pela garagem. Moradores relataram que, na época, o prédio passava por reformas e que parte das câmeras da garagem não funcionava.
A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que Daiane possa ter sido retirada do prédio contra a própria vontade, possivelmente colocada em um veículo. O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH), que coordena uma força-tarefa para esclarecer o desaparecimento. A polícia informou que novas informações serão divulgadas conforme o avanço das investigações e que nenhuma possibilidade está descartada.