Atenção, responsáveis

Delegada goiana aponta ‘crescimento alarmante’ de casos de desaparecimento de crianças

É mito, por exemplo, que é preciso esperar 24h para acionar a polícia. "Comunicação deve ser imediata", alerta titular da DPCA

Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça, mostram que o Brasil registrou uma média de 66 desaparecimentos de crianças e adolescentes por dia em 2025. Só em Goiás, foram mais de sete casos a cada 100 mil habitantes neste período.

Os números repassados anualmente pelos governos estaduais ao Ministério mostram que, desde a pandemia, os indicadores não param de crescer, o que tem gerado preocupação em diferentes setores da segurança pública do Estado e do País.

Diante desse cenário, a titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis, Aline Lopes, elencou uma série de cuidados básicos que podem ajudar pais e crianças a não passarem por situações do tipo.

Segundo ela, a primeira e mais importante medida em caso de desaparecimento é acionar imediatamente as autoridades. “Não espere 24 horas. Esse prazo é um mito. Quanto antes você comunicar à polícia, mais ela poderá te ajudar a localizar o seu filho.”

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A delegada também orienta que familiares e responsáveis mobilizem o maior número possível de pessoas para ajudar nas buscas. “Em um cenário como esse, acione familiares, amigos, vizinhos para que todos ajudem.” Também é fundamental refazer os últimos passos da criança. “Ir aos lugares que ela costuma frequentar, como parques, escolas, casa dos amigos, e tentar levantar informações sobre a última vez em que ela foi vista.”

Outra recomendação da titular é manter sempre uma foto recente da criança em seu celular. Em caso de desaparecimento, a imagem deve ser apresentada às autoridades juntamente com a descrição das roupas usadas na última vez em que ela foi vista. “A formalização da ocorrência junto à DPCA ou a outra unidade da Polícia Civil também deve ser feita quanto antes”, reforça. Segundo Aline, “cada segundo conta”. “Quanto antes as autoridades e mais pessoas estiverem envolvidas na busca pela criança, maior será a chance de ela ser localizada.”

“Criança segura é criança bem orientada”

A delegada também reforça a necessidade de repassar orientações preventivas para as próprias crianças e adolescentes. Muitos casos, segundo ela, começam quando a criança se perde dos familiares. Por isso, ela recomenda que pais evitem enviar os filhos sozinhos para fazer pequenas compras, mesmo que perto de casa. “Se possível, também não deixem que a criança vá sozinha para a escola. Caso não tenha alternativa, a orientação é que ela vá em grupo, acompanhada de outros pais ou adolescentes que fazem o mesmo trajeto”.

Delegada dá dicas preventivas e orienta famílias quanto ao que deve ser feito em caso de desaparecimento (Foto: Colagem/Divulgação)

Para ela, ensinar rotas mais movimentadas e consideradas seguras também é uma medida importante. “A criança também deve ser orientada a estar sempre atenta quando um carro se aproximar. Adulto não pede informação para criança ou adolescente. Então, ensine seu filho a sair correndo sempre que um adulto pedir uma informação. Criminosos se aproveitam desse momento para atacar.”

A delegada acrescenta que, a partir dos 5 anos, a criança já tem condições de memorizar informações básicas. “A partir dessa idade, eles já têm condições de decorar o seu nome completo, o nome dos pais, o endereço e o telefone.” Em locais com grande aglomeração, a recomendação é combinar previamente um ponto de encontro. “Sempre que chegar a um local com grande aglomeração de pessoas, combine com a criança um ponto de encontro caso vocês se percam um do outro.”

Por fim, ela orienta que os pais devem ensinar as crianças que, caso se percam, elas devem procurar ajuda de pessoas uniformizadas, preferencialmente um policial ou uma mulher. “Criança segura é uma criança bem orientada”, diz.

Dados “alarmantes”

Os números que se têm acesso mostram que mais de 23 mil pessoas com menos de 18 anos desapareceram no ano passado, número 8% maior que o registrado em 2024. O salto foi de 60 para 66 casos diários.

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Do total de ocorrências, a maioria envolve meninas: cerca de 61% dos desaparecidos são do sexo feminino e 38% do sexo masculino. Em termos proporcionais, o país contabilizou 11 crianças e adolescentes desaparecidos a cada 100 mil habitantes em 2025.

Em Goiás, o índice foi de 7,1 casos por 100 mil habitantes, o que coloca o estado na 11ª posição no ranking nacional de incidência. À frente de Goiás estão estados como Rio Grande do Sul (24,1), Roraima (19,5), Santa Catarina (18,6), Amapá (16,7), Paraná (15,7), Acre (13,1), Sergipe (10,5), São Paulo (8,6), Mato Grosso do Sul (7,4) e Mato Grosso (7,3).

Os indicadores mostram que, desde a pandemia da Covid-19, os números vêm crescendo de forma contínua. Em 2020, foram registrados 63.151 casos de desaparecimento no país. Em 2025, porém, esse total chegou a 84.760.