Delegado mostra registro de voo de drone e nega ter monitorado advogada
"A gente não precisa provar nada, mas mostrando que isso [a denúncia] é totalmente infundado"

O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos mostrou o registro de voo de seu drone e negou ter monitorado a advogada Áricka Rosália Alves Cunha. O policial enviou um vídeo ao Mais Goiás na noite de segunda-feira (20) junto a um técnico que realiza manutenção nos equipamentos no Distrito Federal.
Recentemente, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) cobrou uma investigação para verificar se um drone utilizado, recentemente, para sobrevoar a residência da advogada Áricka Rosália Alves Cunha teria ligação com o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos. As imagens da aeronave foram gravadas por familiares da jurista e mostravam um equipamento em operação sobre a casa dela, em Cocalzinho de Goiás.
O delegado já havia negado e dito que o equipamento estava danificado, mas compartilhou um vídeo sobre o assunto. “Aqui está o suposto perseguidor e o controle dos logins. No dia 18 teve apenas um voo, o outro foi dia 29/3, mais de 18 dias de diferença.” Segundo ele, na última utilização, quando o equipamento teve um problema, ele saiu da casa dele e caiu perto da delegacia. “A gente não precisa provar nada, mas mostrando que isso [a denúncia] é totalmente infundado.”
Christian Zilmon prendeu a advogada Áricka Cunha no escritório dela, em Cocalzinho, em 15 de abril, sob a alegação de que a profissional teria cometido o crime de difamação contra ele em redes sociais. A profissional foi liberada em seguida e afirmou que tomaria as providências jurídicas necessárias.
A OAB-GO também se manifestou contra a operação e, por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP), determinou a abertura de procedimentos contra o delegado. O portal não conseguiu contato com a advogada Áricka.
Caso começou com prisão dentro de escritório
O caso ganhou repercussão após a advogada ter sido presa no dia 15 de abril, dentro do próprio escritório, após criticar o arquivamento de um boletim de ocorrência. A abordagem foi feita pelo próprio delegado e registrada em vídeo, o que ampliou a repercussão nas redes sociais e no meio jurídico.
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Segundo relatos já divulgados, a prisão ocorreu sob acusação de difamação contra o delegado. A defesa da advogada e a OAB-GO classificaram a medida como arbitrária e apontaram possível violação das prerrogativas da advocacia.
No fim de semana, a Justiça de Goiás entendeu que o delegado não poderá atuar em procedimentos nos quais figure como suposta vítima em casos envolvendo uma advogada presa por ele. A medida foi proferida pelo juiz Samuel João Martins, que atendeu parcialmente a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás. Nas redes sociais, Christian Zilmon informou que vai cumprir a medida, mas que, caso haja crime, outro delegado pode prender a advogada.
Repercussão e investigação
Após a divulgação do caso, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás passou a acompanhar a situação e ingressou com medidas judiciais. O presidente da entidade, Rafael Lara Martins, afirmou que a decisão liminar reforça garantias fundamentais, como o exercício da advocacia e a liberdade de expressão.
Já o delegado envolvido se manifestou publicamente, defendendo a legalidade da atuação e alegando que a advogada teria adotado comportamento inadequado durante os fatos.
A Polícia Civil de Goiás informou que instaurou procedimento interno para apurar as circunstâncias da ocorrência.
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