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Entenda polêmicas com delegado transferido duas vezes em menos de seis meses em Goiás

Policial irá atuar em funções administrativas na Secretaria de Segurança Pública

O delegado Humberto Teófilo confirmou nas redes sociais, no fim de semana, sua remoção da Central de Flagrantes de Aparecida de Goiânia. Ele havia sido transferido da mesma delegacia de Goiânia para o local em novembro passado. O policial irá atuar em funções administrativas na Secretaria de Segurança Pública.

Em vídeo, ele afirmou que a transferência ocorre após combater por meses o tráfico de drogas e facções criminosas, inclusive, com mais de 70 prisões de faccionados, além de outras operações. “Esse enfrentamento enérgico me trouxe consequências. Passei a ser alvo de ameaças do crime organizado. Diante desse cenário, a Diretoria-Geral entendeu pela remoção da minha delegacia e da minha lotação em uma área administrativa, sem qualquer função operacional.”

Em nota, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) disse que as movimentações funcionais de seus policiais ocorrem conforme critérios de conveniência e oportunidade da Direção-Geral, observando as necessidades do serviço público e a adequada gestão de pessoal da Instituição. “Eventuais alterações de lotação ou designações para funções administrativas ou operacionais integram a dinâmica de organização interna do órgão, não sendo medidas excepcionais, mas instrumentos legítimos de gestão institucional”, detalhou.

Apesar dos casos recentes, o delegado Humberto Teófilo já viu diante de outras situações polêmicas. Vale lembrar que, em junho do ano passado, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) chegou a pedir a transferência do policial da Central de Flagrantes de Goiânia.

“Delegacia de polícia não é comitê político-eleitoral, e a OAB-GO não ficará silente diante de abusos”, disse o presidente da OAB-GO, Rafael Lara, à época. O pedido se baseou nas prisões de três advogados em Goiás, todas lavradas pelo mesmo delegado.

Segundo Rafael Lara, uma das prisões, dos advogados Boadry Veloso Junior e Heylla Rose Campos Valadão Veloso, autuados enquanto acompanhavam alguns presos, foi “tão arbitrária” que no dia seguinte o flagrante foi anulado, e o Ministério Público reconheceu a improcedência das acusações. Outra advogada presa pelo mesmo delegado, Taynara Divina Arruda Soares, conforme o presidente da OAB, relatou ter sido ridicularizada e exposta nas redes sociais.

Assim que tomou conhecimento das decisões tomadas durante a reunião do Conselho Pleno da OAB, o delegado Humberto Teófilo postou em suas redes sociais um vídeo, onde afirma estar sendo perseguido por prender “ricos”. “É porque eu roubei? Não. Por que eu sou corrupto? Não. Porque eu peguei drogas, armei algum flagrante, bati ou xinguei alguém? Também não”, afirmou o policial.

O caso repercutiu e motivou uma apuração administrativa da conduta de Humberto na Corregedoria da Polícia Civil.

Outro caso que gerou polêmica foi o da prisão da médica Bianca Borges Butterby em maio do ano passado. Ela foi acusada de exercício ilegal da profissão e propaganda enganosa, em Goiânia, mas teve o inquérito contra ela arquivado em novembro, mesmo mês em que Teófilo foi transferido para Aparecida.

“O delegado Humberto Teófilo expôs tanto ela como a empresa dela, falando que ela se apresentava como nutróloga e endócrina, mas nunca houve isso. Falou que ela aplicava Mounjaro, coisa que ela também nunca fez. Falou que ela fazia propaganda enganosa, que também não fez isso”, lembrou o advogado Darô Fernandes sobre o caso. “Então, nós provamos por A mais B dentro do inquérito. E, mesmo assim, no inquérito, sem o laudo do IML, ela foi indiciada por propaganda enganosa e falsificação de medicamento. Sem o laudo.”

Quando o laudo saiu, foi verificado que isso não procedia, segundo o advogado. Darô, então, entrou com outro parecer defensivo e o Ministério Público acolheu a tese, pedindo o arquivamento do inquérito por atipicidade da conduta. “Ou seja, não houve nenhum crime, tudo que ela faz é regular.” Segundo o jurista, naquele momento, eles entrariam com ações contra o Estado e alguns veículos de comunicação que injuriaram, difamaram e caluniaram a honra e imagem da médica e da empresa dela.

Sobre o arquivamento, Teófilo reagiu à época e disse que “a decisão que a inocentou não tem nenhuma relação com o meu flagrante, que foi homologado pelo Poder Judiciário. Inclusive, o juiz arbitrou R$ 250 mil de fiança.” Ele completou: “Inclusive, ao final do inquérito, a delegada, que foi outra, a indiciou. O que me causa espanto é o pedido do Ministério Público [pelo arquivamento].”

Ele ainda argumentou que “o Brasil é assim mesmo. Quem tem dinheiro para contratar um bom advogado, tem boas amizades, a investigação vai para o ralo. Se fosse um ‘quebrado’, com defensor público, sem advogado, estaria preso”. Ele reforçou que chama atenção a conduta do MP ao pedir o arquivamento. Inclusive, a repercussão da prisão dela, que acionou o Conselho Regional de Medicina, acionou uma casta de políticos, foi um dos motivos para que eu fosse transferido para Aparecida de Goiânia. Eles pensam que a lei não pega eles e influenciaram na minha saída de Goiânia.”

Ameaças a Humberto Teófilo

A transferência de Teófilo neste mês teria ocorrido devido à ameaças da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). No mês passado, ele revelou ter recebido informações sobre a determinação de sua execução, após intensificar operações contra o tráfico no município.

Em publicação e em live no Instagram, ele afirmou: “A luta contra o crime organizado tem consequências. Hoje recebi informações graves envolvendo ameaça atribuída a liderança do PCC após as últimas operações realizadas em Aparecida de Goiânia.” Na ocasião, ele declarou que todas as medidas institucionais foram adotadas junto à Segurança Pública. “eguiremos firmes na defesa do cidadão de bem. Que Deus nos abençoe e nos proteja”, disse.