síndico Cléber Rosa

Entenda por que perícia do caso de corretora morta em Caldas Novas teve disparos de armas de fogo

Corpo de Daiane Alves Souza foi encontrado após 42 dias

A perícia realizada pela Polícia Civil de Goiás na noite desta sexta-feira (30), em Caldas Novas, chamou a atenção por contar com disparos de armas de fogo durante os trabalhos técnicos. Segundo a corporação, os tiros foram efetuados de forma controlada e com aviso prévio aos moradores para verificar se a versão apresentada pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira, suspeito do crime, é compatível com as evidências coletadas no local.

O corpo da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi localizado na última quarta-feira (29), após 42 dias de desaparecimento. Ela havia sido vista pela última vez em 17 de dezembro, quando desceu ao subsolo do prédio onde morava para verificar um problema no fornecimento de energia.

Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado André Barbosa, responsável pela investigação, explicou que os disparos fazem parte da reprodução simulada dos fatos e têm o objetivo de confrontar o depoimento do suspeito com dados técnico-científicos.

— A ideia é verificar se o depoimento que ele deu é plausível por meio de comprovação através de perícias técnico-científicas. Queremos também tranquilizar a todos, esclarecendo que serão feitos disparos de arma de fogo. Ressalto que a dinâmica do crime e como tudo aconteceu não será detalhada neste momento — afirmou o delegado.

Apesar das diligências, a Polícia Civil informou que ainda não há confirmação oficial sobre como Daiane foi morta. Cléber Rosa de Oliveira declarou à polícia que matou a corretora após uma discussão no subsolo do prédio e indicou aos investigadores o local onde o corpo foi encontrado, em uma região de mata da cidade.

De acordo com a apuração, o síndico afirmou que agiu sozinho e que deixou o condomínio em sua picape, levando o corpo de Daiane na carroceria. No entanto, imagens de câmeras de segurança, obtidas pelos investigadores, mostram Cléber saindo do prédio por volta das 20h do dia do desaparecimento, o que contradiz sua versão inicial de que não teria deixado o local naquela noite.

As prisões e a localização do corpo foram antecipadas pelo g1 e confirmadas pelo jornal O Globo. Ainda segundo as investigações, o porteiro do prédio também foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos.

Além do homicídio, Cléber Rosa de Oliveira já havia sido denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) pelo crime de perseguição reiterada (stalking) contra Daiane. A denúncia aponta agressões físicas e verbais ao longo de cerca de dez meses, além de ameaças à integridade física e psicológica da vítima, com monitoramento constante e perturbação de suas atividades.

Em nota, a defesa do síndico afirmou que as condutas do cliente “foram tomadas no cumprimento do seu dever legal” e alegou que não há provas que sustentem a acusação.