CONFEDERAÇÃO

Entidade avalia banir Pedro Turra do automobilismo após morte de jovem goiano

"Caso solicite filiação futuramente, a CBA estará respaldada juridicamente para tomar a medida mais adequada para o bem do automobilismo e de suas melhores práticas, inclusive indeferimento"

O ex-piloto Pedro Turra, de 19 anos, acusado de agredir e matar um adolescente goiano de 16 anos após uma discussão por causa de um chiclete, pode ser impedido de competir, caso seja solto. A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) confirmou ao Metrópoles, na sexta-feira (20), que avalia a possibilidade e que o rapaz não é filiado ao órgão e não possui licença ativa registrada para competir no ano de 2026.

“Pedro Arthur Turra Basso não faz parte dos quadros de competidores filiados à Confederação Brasileira de Automobilismo, uma vez que não solicitou filiação para a temporada 2026”, informou a CBA. “Em razão da gravidade do triste ocorrido e de consulta da Federação de Automobilismo do Distrito Federal, o caso foi encaminhado para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Automobilismo. Dessa forma, caso solicite filiação futuramente, a CBA estará respaldada juridicamente para tomar a medida mais adequada para o bem do automobilismo e de suas melhores práticas, inclusive indeferimento”, emendou.

O acusado era filiado à Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP) em 2025, mas não renovou a filiação para 2026, conforme a entidade.

Após o episódio que envolveu a agressão de Turra a Rodrigo Castanheira, de 16 anos, que veio a falecer, a Federação de Automobilismo do Distrito Federal (FADF) comunicou o caso à CBA. Segundo o presidente da FADF, Renato Constantino, Turra ainda não teria atuado em competições oficiais, mesmo se identificando como piloto.

“Não temos algo dentro do nosso código de ética para julgar porque é algo que ocorreu fora do automobilismo. Ele fez um curso para atuar na Fórmula Delta em São Paulo, mas transferiu a licença para o DF em janeiro deste ano. Ele foi sempre colocado e se identificou como piloto, mas nunca participou de competições”, disse ao veículo de comunicação.

A FASP confirmou a filiação de Turra em 2025, como mencionado. Contudo, não houve renovação em 2026. “A Federação fez o que tinha de fazer, que era oficiar a Confederação, que encaminhou o processo ao STJD. Ele tem seu nome em cadastro, mas não pode pilotar por não estar licenciado. É como um advogado que não pode trabalhar sem ter a OAB, por exemplo”, disse Constantino.

Para pedir o licenciamento, o acusado deveria seguir um processo, que no momento não é possível por estar preso. “Ele tem que ter exame, atestado médico, e não fez porque não chegou nenhuma documentação para a gente. Ele já não poderia participar por causa da situação jurídica. Pode, ainda, receber suspensão, multa diária ou banimento do automobilismo.”

Prisão

Vale lembrar que Pedro Turra teve a prisão mantida pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Messod Azulay Neto no último dia 13 de fevereiro. O magistrado negou o pedido da defesa, que recorreu de decisão da 2ª Turma Criminal Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) pela manutenção da prisão. Ele está preso desde 30 de janeiro.

Turra já havia virado réu por homicídio doloso na última semana. Ele também foi transferido para o pavilhão de segurança máxima do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, há alguns dias, por questão de segurança.

Sobre o crime, o adolescente Rodrigo Castanheira morreu em 7 de fevereiro após 16 dias internado. A briga que culminou na agressão física aconteceu na saída de uma festa, na madrugada de 23 de janeiro, em Vicente Pires, no Distrito Federal.

Rodrigo estava em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, em Águas Claras. Ele não resistiu às complicações causadas por um traumatismo craniano severo, resultado das agressões sofridas.

Segundo as investigações, o conflito teria começado após um desentendimento considerado banal. Pedro Turra teria se irritado com um comentário feito por Rodrigo sobre um chiclete que o piloto havia jogado em um colega do adolescente.

Após a discussão, Turra desceu do carro e iniciou as agressões. Durante a briga, Rodrigo bateu a cabeça na porta de um veículo, sofreu traumatismo craniano e chegou a ter uma parada cardiorrespiratória de aproximadamente 12 minutos. Ele foi socorrido em estado crítico, passou por cirurgia de emergência para drenagem de sangue no crânio — após o rompimento de uma artéria — e permaneceu em coma induzido até este sábado.

De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), mesmo desacordado, o jovem teria continuado a ser agredido. A queda e a sequência de golpes agravaram o quadro clínico.

Pedro Turra foi preso um dia após as agressões, mas pagou fiança de R$ 24,3 mil e foi liberado. Posteriormente, diante de suspeitas de tentativa de interferência nas investigações, voltou a ser preso e segue no Complexo da Papuda. Ele aguarda o andamento do processo. O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) denunciou o investigado por homicídio doloso.